Coronavírus: Alemanha quer impedir que laboratório que desenvolve vacina seja comprado pelos EUA

BERLIM — A Alemanha está tentando impedir que um laboratório que está desenvolvendo vacina contra o novo coronavírus seja aliciada para mover suas pesquisas para os EUA. De acordo com o jornal local Welt am Sonntag, o presidente americano, Donald Trump, ofereceu fundos para a transferência da CureVac. A informação foi confirmada neste domingo pelo Ministério da Saúde alemão, que apresentou uma contraproposta para mantê-la no país.

“O governo alemão está muito interessado em garantir que vacinas e substâncias ativas contra o novo coronavírus também sejam sedenvolvidas na Alemanhã e na Europa”, afirmou o ministério, segundo o jornal. “Nesse sentido, o governo está em intensa negociação com a companhia CureVac“.

Procurado pela agência Reuters, uma porta-voz do Ministério da Saúde afirmou que “confirma a reportagem do Welt am Sonntag”.

Citando uma fonte anônima, o jornal alemão afirmou que Trump estava tentando garantir o direito exclusivo do trabalho dos cientistas, e que faria qualquer coisas para conseguir uma vacina para os EUA, “mas apenas para os EUA”.

A embaixada dos EUA em Berlim não se manifestou, tampouco representantes da CureVac.

Na semana passada, Florian von der Muelbe, cofundador e diretor de produção da CureVac, afirmou que a companhia havia iniciado testes com vários tipos de vacinas, e estava selecionando as duas melhores para inciar os testes clínicos. A expectativa é ter uma vacina experimental pronta até junho ou julho, para buscar aprovação de agências reguladoras para iniciar os testes em humanos.

Baseada em Tuebingen, a companhia biofarmacêutica é uma das pioneiras no desenvolvimento de medicamentos que fazem uso do RNA mensageiro (mRNA), ácido responsável pela transferência de informações do DNA do núcleo para o citoplasma das células. A ideia é usar essa ferramenta para instruir o corpo a lutar contra doenças.

Na abordagem tradicional, os laboratórios produzem antígenos incapazes de provocar a doença, que são injetados nas pessoas para que elas desenvolvam a resposta imunológica. Na abordagem da CureVac, o mRNA é instruído a produzir esses antígenos e desencadear a defesa do organismo.

A empresa ainda não tem medicamentos no mercado, mas está usando a tecnologia para desenvolver terapias o câncer e doenças raras, além de vacinas contra a raiva, malária e outras doenças, agora, incluindo o coronavírus.

Segundo von der Muelbe, o laboratório está desenvolvendo uma tecnologia de vacina de baixa dosagem, que já mostrou resultados promissores em testes contra a raiva. Ela também está sendo testada contra o coronavírus. Caso seja bem sucedida, permitirá a produção em larga escala, num curto espaço de tempo, fator importante para a contenção da doença.

Em estudo de fase 1 contra a raiva, o laboratório foi capaz de induzir respostas do sistema imunológico de humanos com dose de apenas um micrograma.

— Estas dosagens mínimas que conseguimos nos coloca em posição, aqui em Tuebingen, para a produção de até 10 milhões de doses por ciclo — afirmou o executivo, à Reuters.

Em seu site, a CureVac informa que no dia 2 de março o diretor executivo da companhia, Daniel Menichella, foi convidado pela Casa Branca para “discutir estratégias e oportunidades para o rápido desenvolvimento e produção de uma vacina para o coronavírus” com Trump, o vice-presidente, Mike Pence, e membros da força-tarefa criada pelo governo americano para conter a epidemia. Contudo, não dá detalhes sobre as conversas.