Coronavírus: Alerj vota projeto para doar R$ 5 milhões para UFRJ fabricar mil respiradores

Paulo Cappelli
Respiradores (aparelho à esquerda na foto) são essenciais para pacientes graves de Covid-19

A Assembleia Legislativa (Alerj) votará nesta quinta-feira (30), em discussão única, um projeto de lei que, na prática, permitirá que a Casa financie a produção de mil respiradores a serem fabricados pela UFRJ para o tratamento de pacientes com coronavírus. A proposta altera a Lei Estadual 6.041/11, que criou o Fundo Especial da Alerj, e passa a permitir transferências de recursos para custear projetos de centros de pesquisas tecnológicas vinculados a universidades estaduais e federais, além de programas nas áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública.

A tratativa envolvendo Alerj e UFRJ prevê a fabricação de mil aparelhos respiradores em 30 dias, o que significaria pouco mais de 33 novos aparelhos por dia. Desenvolvido por pesquisadores do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ, os respiradores foram projetados para uso emergencial durante a pandemia. Para produzir as unidades, montadas com peças disponíveis no mercado nacional, a UFRJ lançou uma campanha de financiamento. Os respiradores produzidos pela universidade serão doados a hospitais para reforçar emergencialmente os leitos de tratamento da Covid-19. De acordo com a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, os próprios pacientes do Hospital Universitário da UFRJ já estão usando os respiradores projetados pela instituição.

A votação da medida foi anunciada pelo presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), em uma videoconferência da Comissão de Ciência e Tecnologia. Caso receba emendas, o projeto de lei sairá de pauta para que as modificações propostas sejam analisadas pelas comissões técnicas.

— O programa de Biomédica da UFRJ está fazendo um belo trabalho na luta por vidas. Precisamos investir em pesquisa para que a gente dependa cada vez menos das compras de equipamentos de fora do país — afirmou Ceciliano.

Nesta quarta-feira (29), o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, afirmou que a rede hospitalar deverá entrar em colapso entre maio e junho deste ano, por conta do aumento no número de infectados pelo coronavírus e pela escassez de leitos, de respiradores, de médicos e de enfermeiros para atender à demanda.