Coronavírus: Anvisa autoriza a produção de álcool em gel em farmácias de manipulação

Marjoriê Cristine
A vendeddora Michelle Santiago com o álcool em gel que sua empresa forneceu

RIO – Com o objetivo de aumentar a oferta de álcool em gel para a população após a pandemia do novo coronavírus, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou que farmácias de manipulação produzam e vendam o produto de forma direta ao público. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 18, e será de forma temporária para o enfrentamento da emergência de saúde.

Com a decisão, as farmácias magistrais, como também são conhecidas, poderão preparar álcool etílico 70% (p/p), álcool etílico glicerinado 80%, álcool gel, álcool isopropílico glicerinado 75%, água oxigenada 10 volumes e digliconato de clorexidina 0,5%. Todas essas fórmulas são preparações antissépticas ou sanitizantes que podem ser utilizadas no combate ao coronavírus. Até então, somente indústrias de cosméticos podiam fabricar esses produtos, com necessidade de autorização da Anvisa.

Dono da Betha Farma, no Centro de Nova Iguaçu, Nélio Gonçalves já comercializava o produto com autorização. No entanto, a procura pelo álcool em gel só começou a aumentar no dia 9 de março, quando a situação chegou com força no Brasil e no Rio de Janeiro, o segundo estado com mais casos no país.

– Antes da epidemia, a venda era zero. Eu já produzia aqui na farmácia, mas raramente comercializava um ou outro frasco. Em uma semana, todo o meu estoque foi vendido. Só ontem, 125 pessoas estiveram aqui na loja atrás de ujm frasco. Não tenho mais nada e vamos começar a produzir mais – diz o empresário de 67 anos.

Insumos em falta

Na loja, Gonçalves vende um frasco de 250ml por R$ 27, mas no começo produzia de 50ml e 150ml. A venda em grande quantidade está descartada, até porque a sua intenção é atender o máximo de pessoas possiveis. Nesse sentido, a cada consumidor que faz o pedido na farmácia, ele orienta que usem com moderação e não a todo momento.

Lavar as mãos com água e sabão segue sendo a recomendação principal para todoas as pessoas, seguido do uso de álcool em gel. Aliás, alguns insumos já estão em falta no mercado e retardando a produção dos novos frascos, justamente porque a demanda aumentou.

– Eu precisei comprar mais insumos. O principal é o cabopol (polímero utilizado para dar o aspecto gelatinoso) que é essencial na produção e sumiu no mercado. Tem uma empresa que faz, mas o preço está bem alto. Se antes o quilo custava entre R$ 120 e 150, agora foi a R$ 300 e deve chegar a R$ 340. Ainda tenho produto para produzir algo em torno de 81 quilos de álcool em gel, mas não sei quanto tempo vai durar – diz.

Em Madureira, na Naturativa, um frasco de 100ml de álcool gel é vendido a R$12.