Coronavírus: após voos cancelados, empresas levam aviões para deserto nos EUA

Empresas de aviação dos Estados Unidos estão enviando algumas de suas aeronaves para o Pinal Air Park, um aeroporto em Marana, no meio do deserto do Arizona. A medida foi tomada por conta das drásticas restrições de circulação de aviões impostas pelo governo em meio a  pandemia do novo coronavírus. O Pinal não realiza voos comerciais e é conhecido no setor como o "cemitério de aeronaves".

Compartilhe por WhatsApp:  clique aqui e acesse um guia completo caibre  o coronavírus

Normalmente, os aviões depositados no local não voltam ao ar, mas o clima quente e seco vai ajudar a preservar as aeronaves recém-chegadas, que podem voltar a circular em breve. Além disso, há equipes no local disponíveis para fazer reparos nos aviões.

Segundo o gerente do aeroporto, Jim Petty, normalmente não há mais de uma decolagem ou pouso no mesmo dia no local, o que mudou drasticamente nos últimos dias. Segundo dados do rastreador FlightAware, a Delta Air Lines é companhiaa aérea que mais estacionou aeronaves no local: foram 23 pousos até quinta-feira.

Covid-19: reembolso da passagem será integral, mesmo para bilhete promocional

—  Eu chamaria isso de algo muito incomum. Não é que não possamos lidar com o trabalho extra, é que isso não acontece todos os dias — disse ao portal "Tucson.com".

Segundo Petty, o recorde de movimento que o parque aéreo registrou ocorreu na sequência dos ataques do 11 de setembro, quando cerca de 250 aeronaves foram armazenadas em Marana. Há espaço para até 400 delas. São cobradas taxas de pouso, armazenamento e locação para todos os aviões. O gerente ressalta, porém, que não há vencedores numa situação como essa.

— O setor de aviação está sofrendo terrivelmente — lamenta.

No Brasil, para tentar resolver o problema, as empresas do setor querem que a Força Aérea Brasileira (FAB) libere, sem custos, áreas nas bases militares que servirão de estacionamento para as aeronaves que não estão sendo usadas, como noticiou a coluna de Ancelmo Gois.

Desde meados de janeiro, 185 mil voos já foram cancelados em todo o mundo. Por aqui, só neste mês de março Gol, Azul e LATAM reduziram em cerca de 30% os voos domésticos, enquanto a oferta no internacional caiu 50%.