Coronavírus: Apesar de decreto determinar fechamento, São Gonçalo mantém parte do comércio funcionando

Marcos Nunes
Comércio de São Gonçalo tem muitas lojas abertas e muitas pessoas na rua. Na foto, a Avenida 18 do Forte

RIO - Com a segunda maior população do estado, algo em torno de 1 milhão de habitantes, São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, tem quatro casos confirmados de coronavírus e mais de 350 casos suspeitos. Apesar da existência de um decreto, baixado pela Prefeitura da cidade, determinado o fechamento do comércio, justamente para evitar aglomerações e a disseminação do Covid-19, a realidade vivida nesta quinta-feira em parte do município foi outra. Havia circulação de pessoas em algumas ruas e estavam de portas abertas, entre outros estabelecimentos, botequins, oficinas, casas de material de construção, autopeças e até uma loja de venda de veículos.

A maioria das lojas abertas nesta quinta estava localizada em parte do Centro de São Gonçalo e em bairros como Galo Branco, Mutuá e Mutuaguassú, principalmente ao longo da Estrada da Conceição. Na Avenida 18 do Forte, no Centro, uma pequena fila chegou a se formar em um ponto de ônibus, por volta das 11h. Já na principal via do município, a Avenida Feliciano Sodré, onde fica inclusive a Prefeitura de São Gonçalo, comerciantes estavam com as portas fechadas, com exceção apenas de farmácias e mercados, que são considerados serviços essenciais.

O funcionamento de parte do comércio do município ocorreu dois dias após um pronunciamento oficial do presidente Jair Bolsonaro. Na última terça-feira, em discurso transmitido por emissoras de rádio e televisão, ele minimizou a doença e defendeu a volta do pais à normalidade. A situação, que inclui o isolamento dos moradores e o fechamento do comércio para evitar a disseminação do coronavírus divide opiniões em São Gonçalo. Para Renata da Silva, de 40 anos, que tem uma confecção de bolsas, o comércio tem que voltar a funcionar para a economia não parar de vez no país.

— Minha opinião é a de que a economia não deve parar. Se a gente não morrer de coronavírus, vai acabar morrendo é de fome. Sou a favor da reabertura do comércio. Já tive prejuízo grande, de cerca de R$ 3 mil. A última vez que ganhei dinheiro foi segunda-feira, quando entreguei uma encomenda de bolsas. Tenho quatro pessoas que trabalham comigo e contas para pagar. Não sei se vamos conseguir aguentar isso sem quebrar —disse Renata, que saiu de casa para comprar comida e não esqueceu de levar um frasco de álcool em gel no bolso.

Já o aposentado Antônio Carlos da Cunha, de 71, que saiu de casa nesta quinta para comprar remédios, defendeu a continuidade do isolamento e do fechamento das lojas.

—Tive de sair de casa porque tinha de resolver um problema no banco. Vou voltar sim para o isolamento. A incoerência é grande. O comércio precisa ficar fechado. Muita gente não está tendo o cuidado necessário para ajudar a acabar com o coronavírus — concluiu.

Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo informou que, na última terça-feira, publicou um novo decreto estendendo a validade das determinações de restrição do comércio até o próximo dia 10 de abril. Quem for flagrado de portas abertas estará sujeito, entre outras penalidades, a ser advertido, ter a permissão de venda suspensa ou até ter o alvará de licenciamento cancelado.

Ainda segundo a Prefeitura de São Gonçalo, equipes com guardas municipais, vigilância sanitária e agentes da prefeitura têm percorrido ruas para fiscalizar o cumprimento do decreto. Sobre o número de infectados com coronavírus, o município confirmou quatro casos e informou que 400 suspeitas já foram notificadas, das quais 43 já foram descartadas.