Coronavírus: atraso no pagamento faz estado não receber mais de 100 respiradores

Paulo Cappelli

RIO — O governo estadual encontra dificuldades para receber 116 aparelhos respiradores com os quais já esperava contar para o combate à pandemia de coronavírus. O motivo seria o atraso, pela Secretaria de Saúde e por uma organização social por ela contratada, no pagamento de R$ 80 milhões a fornecedores. A previsão inicial era que os respiradores embarcassem da China para o Brasil nesta quarta-feira (29). As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo.

Procurada pela reportagem desde quinta-feira (30), a Secretaria Estadual de Saúde não retornou os telefonemas e e-mails. No sábado, o secretário de Saúde, Edmar Santos, publicou um vídeo no qual fala da dificuldade de receber respiradores. Ele afirma que o problema acomete outros estados da federação. Abaixo, segue a transcrição na íntegra:

"O Estado do Rio de Janeiro, num grande esforço, tentou adquirir mil respiradores, para apoiar não só a sua rede, como todos os municípios do interior do estado. Mas, assim como outros estados, São Paulo e Bahia por exemplo chegaram a pagar adiantado por equipamentos que ainda não foram entregues, o estado do Rio de Janeiro passa por dificuldade em receber suas encomendas, especialmente para pagamento a posterior.

O fato real que temos é que todos os estados brasileiros, assim como o Governo Federal tinha uma grande encomenda de equipamentos da China e não os recebeu, estão com dificuldades de recebê-los. Não porque não estão se empenhando, mas pela falta dos recursos no mercado. Mesmo grandes empresas e bancos que estão tentando fazer aquisições diretas para apoiar o Governo Federal e os estados não têm tido êxito, mesmo com dinheiro e logística e a potência que representam no mundo como um todo.

O Brasil é um país que ficou no final da fila com relação à infecção pelo Covid-19, atrás de países asiáticos, europeus e norte-americanos. Isso nos trouxe uma grande vantagem competitiva, que era entendermos a importância do isolamento social, e uma grande desvantagem competitiva, porque respiradores e outros insumos já não estavam mais disponíveis para fácil aquisição.

Diante dos fatos concretos que temos, o isolamento social amplo é a nossa melhor arma para manter adequada a relação entre necessidade de leitos e oferta de leitos. Por mais que estados e municípios se esforcem para a abertura de leitos, haverá um teto no número máximo possível, principalmente pela falta de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. Não porque não queremos contratar, mas porque não se forma esses profissionais da noite para o dia."