Coronavírus: aumento abusivo de preços e desabastecimento preocupam

Elisa Martins
Passageira usa máscara em ônibus em São Paulo.

SÃO PAULO — A Federação e o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP e SINDHOSP) denunciaram ao Ministério da Saúde e às secretarias municipais e estadual de saúde o aumento abusivo de preços de materiais e insumos médicos em razão do novo coronavírus.

Em ofício enviado na tarde de quarta-feira, eles pedem que as autoridades fiscalizem e proponham uma solução emergencial ao problema. Expõem, ainda, preocupação com eventuais desabastecimentos diante da alta demanda.

A entidade representa cerca de 50 mil hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios médicos e odontológicos no estado de São Paulo, segundo o presidente da Fehoesp e Sindhosp, o médico Yussif Ali Mere Jr.

— Há serviços de saúde que antes usavam dez máscaras por dia e agora usam 50, porque os funcionários precisam trocar a máscara com periodicidade menor. Sem contar as máscaras que são colocadas nos pacientes que chegam com sintomas que merecem atenção nesse momento de crise epidêmica — diz.

Segundo ele, o aumento abusivo de preços com a alta da demanda já é notado por vários serviços, e pode impactar no abastecimento e na economia dos centros de saúde.

— Ainda não temos cálculos exatos, mas o receio é que, ao sair dessa crise, muitas clínicas, principalmente do SUS, e vários hospitais, saiam completamente endividados — afirma.

Segundo o FEHOESP, o aumento abusivo de preços por fornecedores se reflete em diferentes itens médicos. Uma caixa com 50 unidades de máscara tripla com elástico, por exemplo, que em janeiro custava R$ 4,50 passou a R$ 35 no início de março e, hoje, é vendida por R$ 140. O aumento também é notado em luvas descartáveis e recipientes de álcool gel.

— Precisamos colocar holofotes nesse problema para que não passe despercebido e venha a afetar os serviços de saúde — diz o presidente da Fehoesp e Sindhosp.

Segundo o médico, São Paulo está “na fase de mitigação” do novo coronavírus:

— A epidemia está instalada. Já existe transmissão comunitária. Vamos ver como se desenvolve. Em menos de seis a oito semanas é difícil conter.