Coronavírus avança na Europa e China começa a ver luz no fim do túnel

Por Thibauld MALTERRE con las oficinas de la AFP en el mundo
Projeção de bandeiras de todos os países infectados pelo coronavírus no Cristo Redentor no Rio de Janeiro, em 18 de março de 2020

O novo coronavírus nesta quinta-feira ultrapassou os 100.000 afetados na Europa e 10.000 nos Estados Unidos, enquanto a Itália ultrapassou a taxa de mortalidade da China, o país onde tudo começou e que começa cautelosamente a ver a luz no fim do túnel.

Os países europeus são atualmente os mais atingidos pelo Covid-19, mas a inquietação também cresce inexoravelmente no resto do planeta, prestes a atingir a cifra de 10.000 mortes.

Pequim registrou apenas 34 novos casos nas últimas 24 horas, todos "importados". Oficialmente, portanto, nenhum chinês contraiu a doença por meio de contato local.

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Por outro lado, a Europa, confinada e com o patrulhamento policial em muitas de suas cidades, já responde por quase metade das mortes no mundo, mais de 4.700.

Na Itália, 427 pessoas morreram nas últimas 24 horas, totalizando 3.405 mortes, à frente das 3.245 relatadas pela China.

Na França, há quase 5.000 hospitalizados, mil deles em respiradores, e na Espanha as mortes aumentaram 30%, para quase 800 no total.

Existem mais de 230.000 afetados no mundo pelo novo coronavírus, que é transmitido mais rapidamente que a gripe e pode permanecer assintomático por muitos dias.

"Se deixarmos que o vírus se espalhe como um incêndio florestal, especialmente nas regiões mais vulneráveis do mundo, ele matará milhões de pessoas", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Embora afete principalmente pessoas idosas com outras patologias, o Covid-19 não distingue classes sociais. O príncipe Albert de Mônaco deu positivo, assim como o principal negociador da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier.

O Banco Central Europeu anunciou 750 bilhões de euros em ajuda e as autoridades monetárias dos EUA e o governo Donald Trump proclamaram valores ainda mais altos. A Europa experimentará um declínio econômico "considerável", alertou a chefe do BCE, Christine Lagarde.

Um exemplo extremo da catástrofe econômica é o setor aéreo comercial, que precisará de pelo menos US$ 200 bilhões em ajuda direta, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

- Em teste -

Com mais ou menos ordem e coordenação, os governos ordenam a apreensão de material essencial para combater a pandemia, repatriam seus cidadãos surpreendidos no exterior e respondem da melhor maneira possível aos inúmeros pedidos de ajuda implorados por todos os setores econômicos.

A Índia ensaiará um toque de recolher no próximo domingo, entre 7h e 21h, para "testar" a vontade de seus 1,3 bilhão de habitantes de enfrentar um enorme desafio social e de saúde, anunciou o primeiro-ministro Narendra Modi.

Os italianos dão conselhos para o mundo inteiro. "Proteja-se, eu estou te implorando. Não dê ouvidos a quem afirma que não é nada", tuitou a freira Linda Maresca.

Os cruzamentos de acusações aumentam. "Teria sido muito melhor se tivéssemos descoberto tudo isso alguns meses antes, isso poderia estar contido em uma região da China de onde veio", disse Trump.

"A culpa é da China e a liberdade de expressão seria a solução", disse Eduardo Bolsonaro.

A China multiplica o envio de material e especialistas para muitos países e não hesita em responder a essas acusações, que considera improcedentes.

- Silêncio angustiante -

A UE já iniciou o repatriamento de dezenas de milhares de cidadãos de seus países membros ociosos em todo o mundo. Outros esperaram com angústia, como Verónica Lorenzini e Paulina Moya, mãe e filha chilenas, que não conseguem sair de Nova Délhi para retornar a Santiago.

O Chile, que levará o exército às ruas, decretou a quarentena da remota Ilha de Páscoa e adiou o referendo constitucional para 25 de outubro.

No Reino Unido, onde há mais de 100 mortes, as autoridades ordenaram o fechamento de escolas a partir de sexta-feira e de algumas estações de metrô.

O primeiro-ministro Boris Johnson disse que se a população seguir as instruções e restringir o contato social, o país poderá experimentar uma melhora em doze semanas.

No total, mais de 500 milhões de pessoas estão confinadas em suas casas, segundo uma contagem da AFP.

"A única coisa que me aflige é o silêncio!", disse o octogenário Roberto Fichera, em Roma. "Você não ouve barulho, nem carro, as ruas estão vazias. Quando você sai e ouve alguns passos atrás, dá medo".

A Itália, sem dúvida, prolongará as medidas de confinamento, programadas até 3 de abril, e a França e a Espanha sinalizaram o mesmo.

O presidente Emmanuel Macron desaprovou o comportamento de seus concidadãos. "As pessoas continuam indo ao parque, à praia ou correndo para mercados", criticou.

Na Alemanha, onde mais de 10.000 casos foram confirmados, a chanceler Angela Merkel pediu a seus concidadãos que respeitassem as recomendações para limitar o deslocamento, "essencial para salvar vidas".

- "Histeria" -

Na América Latina, o vírus continua progredindo e já é responsável por mais de 1.700 infecções e quase 20 mortes.

Nesta quinta-feira, o Brasil anunciou o fechamento de suas fronteiras terrestres, exceto com o Uruguai, por 15 dias.

O México anunciou sua primeira morte. Nicarágua, El Salvador, seu primeiro infectado.

Além de combater o desânimo e o pânico, os governos tentam não negligenciar a busca de um possível remédio para a pandemia.

Os Estados Unidos aprovaram o teste de um medicamento antimalárico, anunciou Trump.

China ou Rússia também testam possíveis vacinas, em animais ou humanos.

O fluxo de suspensões em campeonatos esportivos continua. A liga turca de futebol foi suspensa, o inglês Premier prorrogou a suspensão até 30 de abril, o GP da Holanda, Espanha e Mônaco também foram cancelados.

O Festival de Cannes, marcado para maio, também foi adiado.

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