Coronavírus: Baixada Fluminense registra 75% de aumento em casos de Covid-19

Marcos Nunes
Movimento de pedestres foi grande nesta segunda no Centro de Duque de Caxias

RIO — Com uma população estimada de mais de 3,8 milhões de habitantes, a Baixada Fluminense registrou 75% de aumento de casos de coronavírus, entre sábado e esta segunda-feira, passando de 56 para 98 o número de confirmações da doença. As mortes por conta da Covid-19 aumentaram 25% na região, dando um salto no mesmo período, de oito para dez falecimentos. A situação pode piorar ainda mais. E que a região conta, atualmente, com menos de cem leitos municipais de isolamento para atender pacientes que apresentam sintomas do mal. Em quatro cidades — Seropédica, Mesquita, Japeri e Paracambi — não há um único leito deste tipo sequer, enquanto em Guapimirim há apenas um.

Além da pouca estrutura disponível de atendimento, o risco da disseminação da doença passa pela falta de engajamento nas medidas decretadas pelos governos municipais para restringir de circulação de pessoas. Nesta segunda-feira, em Duque de Caxias (cidade que já tem três óbitos), e que decretou no último dia 31 o fechamento do comércio, parecia ser um dia normal com muita gente circulando nas ruas. Além de grandes filas em agências bancárias e lotéricas, estavam abertas no centro do município, entre outros pontos de comércio, óticas, lojas de roupas, de tecidos, de venda de bicicletas e até de fogos de artifício.

Para o aposentado José Roberto da Silva, de 62 anos, a quarentena deveria ser respeitada. Ele, no entanto, defendeu a abertura do comércio na cidade.

- Eu estou ficando em casa. Só saí na rua, porque vim acompanhar meu filho, que veio resolver um problema no banco. Não tinha que ter tido nem carnaval. Agora, quem mais sofre com a chegada desta doença, somos nós os idosos. Eu respeito a quarentena. Infelizmente, acho que o comércio tem que ficar aberto para as pessoas conseguirem comprar o que precisam — disse.

Francisco das Chagas, de 66, acha que falta conscientização das pessoas que continuam circulando nas ruas.

— Trouxe minha mulher, de 70 para ir ao banco. Vou voltar para casa assim que ela retornar. Em casos de não ter necessidade, idosos não devem ir para rua em hipótese alguma. Não há conscientização das pessoas — disse.

Procurada, a Prefeitura de Duque de Caxias disse que vem trabalhando com a Guarda Municipal para fiscalizar o cumprimento do decreto do prefeito Washington Reis, que proíbe o funcionamento do comércio não essencial no município. Quem é flagrado desrespeitando a medida, é orientado a fechar o estabelecimento. Quem insistir, poderá ser notificado e até multado.

Número de municípios com leitos para Covid-19:

Magé - Seis leitos atualmente, com promessa ainda de implantação de um Centro de tratamento da Covid-19 em Santo Aleixo.

Nova Iguaçú - Vinte e nove leitos de isolamento em UTIs do Hospital da Posse,13 outros leitos deste mesmo tipo em unidades de saúde, 32 UTIs para outros fins e a promessa da construção em andamento um hospital de campanha para coronavírus.

Duque de Caxias - Cinco leitos de isolamento, dez leitos ( para outros casos ) de CTI, 40 leitos (outros casos) em unidades pré-hospitalares municipais e a promessa de outros cem leitos de isolamento que estarão disponíveis após a inauguração do Hospital São José, comprado recentemente pela prefeitura.

Belford Roxo - Dez leitos de isolamento em UTIs.

São João de Meriti - Trinta e um leitos de isolamento.

Nilópolis - Nove leitos de isolamento, sendo cinco num polo de atendimento e quatro em uma UPA.

Queimados - Não há leitos municipais de isolamento. Há 30 leitos estaduais e a promessa de construção de um hospital de campanha com 30 UTIs (isolamento) e de mais 30 leitos.

Japeri - Sem leitos de isolamento. Há, no entanto, 12 leitos com respiradores.