Coronavírus: barbeiros de Michigan desafiam quarentena e oferecem cortes de cabelo no entorno do Capitólio

Centenas de pessoas se reuniram nesta quarta-feira no Capitólio de Michigan, sede dos poderes Executivo e Legislativo do estado americano, em Lansing, para protestar e desafiar abertamente o decreto da governadora Gretchen Whitmer. Ele proíbe a abertura de muitas empresas não essenciais - incluindo salões e barbearias - até 28 de maio, num esforço para diminuir a propagação do novo coronavírus.

De acordo com o jornal local "City Pulse", multidões formaram filas - que em alguns pontos se estendiam dos degraus do Capitólio até a rua - esperando para mudar o visual com cabeleireiros e barbeiros. Em flagrante desobediência civil, eles ofereciam seus serviços como parte do protesto "Operação Corte de Cabelo", organizado por um grupo chamado Coalizão Conservadora de Michigan.

 

 

 

"Os pequenos empresários do estado são cidadãos patrióticos e cumpridores da lei, mas basta", disse Marian Sheridan, co-fundadora da Coalizão, ao jornal "Detroit Free Press", antes do protesto. Ela criticou o fato de fornecedores de maconha e outros negócios permanecerem abertos, mas "as barbearias por algum motivo serem consideradas inseguras".

Além dos cabeleireiros oferecendo cortes de cabelo, havia no protesto pessoas vendendo acessórios temático do presidente Donald Trump, outras preparando hambúrgueres e cachorros-quentes. Poucos manifestantes usavam máscaras de proteção. Alguns portavam suas armas, o que lá é permitido.

 

 

 

"Acreditamos na liberdade de escolha", afirmou ao "City Pulse" Barbara Burpee, uma cabeleireira da cidade de Charlotte: “Por que não deixar os profissionais fazerem isso? Eu trabalhei muito duro para construir minha clientela. As pessoas estão ficando com raiva de mim por causa da governadora. Acho que as pessoas deveriam ter escolha sobre o que fazem. Só acho que eu deveria estar em um país livre”.

O decreto de Whitmer prevê que violações intencionais podem ser consideradas delitos e punidas com perda de licença. "Bares, lojas de tatuagem, academias de ginástica, boliches e barbearias estarão entre os últimos a abrir", explicou a governadora: "E eles certamente não poderão operar sem diretrizes rígidas".

 

 

 

Antes do evento, a polícia do estado de Michigan - encarregada de patrulhar o entorno do Capitólio - não havia divulgado como lidaria com as violações flagrantes de distanciamento social, conta o "City Pulse". Muitos agentes, como em outros protestos no local, foram vistos ignorando dezenas de pessoas violando a lei.