Coronavírus: CBF cogita, mas evita cravar novas fórmulas para Estaduais e Brasileirão

Igor Siqueira
Rogério Caboclo, presidente da CBF

Diante de um horizonte de incertezas que a pausa pela pandemia de coronavírus traz, a CBF olha para o calendário e prefere não se atrever em prever o futuro. De qualquer forma, o entendimento da entidade em relação às competições que organiza é enxergá-las com uma flexibilidade que o momento atual demanda.

Como será o Brasileirão ou qual será a maneira de realocar os Estaduais são questões que dependem de um ponto de partida. E essa data os dirigentes ainda não têm, por mais que a Conmebol cultive a esperança de retornar a Libertadores em 5 de maio. O recado que o presidente da CBF, Rogério Caboclo, deu às federações estaduais na última terça-feira vai nesse sentido: é preciso exercitar a espera.

- Vai depender do momento. Hoje, é um pensamento. Daqui a três semanas pode ser outro. Imagina se acaba em agosto, setembro? Nada pode ser concreto ainda. Tem que ter calma. Não adianta dizer que o Estadual vai começar depois do feriado de 12 de outubro, por exemplo - pondera Mauro Carmélio, presidente da Federação Cearense.

A versão dele é referendada por outros que participaram da assembleia e contraria o discurso de Michele Ramalho, presidente da Federação Paraibana. Ao Globoesporte.com, a dirigente assegurou que Caboclo prometeu mudar o formato do Brasileirão.

- Rogério Caboclo vai convocar um novo arbitral e vai mudar o formato. Vai ter um novo formato, caso essa onda do vírus venha a se alargar. Com certeza alguém vai ter que espremer seu campeonato. E antes eles (o Brasileirão) do que os estaduais - disse Michele.

Consultada, a CBF evita posicionamentos oficiais, na tentativa de minimizar as especulações: algo inevitável diante da pausa geral. Na reunião na Ferj que selou a interrupção do Carioca, Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, citou que a CBF estuda esticar o calendário nacional até 28 de dezembro, desde que as férias sejam dadas no atual período de pausa. A tentativa é concluir tanto os Estaduais quanto a Copa do Brasil.  É preciso considerar a posição da Conmebol nessa amarração. A entidade projeta concluir a Libertadores na mesma data marcada previamente: 21 de novembro, no Maracanã.

O que as federações estaduais tentam é uma articulação em prol de um desfecho similar para todos os campeonatos. Isso traria uma uniformidade de critérios de distribuição de vagas da Copa do Brasil e da Série D do Brasileirão.

- Estamos dispostos. Em determinado momento, temos que tomar a decisão em conjunto, apesar das particularidades de cada campeonato. Uns podem conseguir terminar, outros não. Os que não terminarem, que se tenha uma decisão em conjunto - afirmou André Pitta, presidente da Federação Goiana.