Coronavírus deixa mais de 250.000 mortos no mundo; desconfinamento prudente em vários países

Por Pol COSTA en París, con Paul HANDLEY en Washington y las oficinas de la AFP en el mundo
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Desinfecção em Jisr Al Shughur, na província de Idlib, Síria, em uma sala que abriga sírios em quarentena após seu retorno da Turquia em 27 de abril de 2020.

O coronavírus deixou mais de 250.000 vítimas fatais no mundo e continuará matando nos próximos meses, apesar de uma redução do número de contágios que levou diversos países a flexibilizar o confinamento de sua população.

Até o momento, foram registrados oficialmente 250.203 óbitos no mundo (com 3.570.093 casos), 145.023 deles na Europa (1.572.178 casos), o continente mais afetado.

Os Estados Unidos lideram a lista de países com mais mortes (68.689). Apesar de ter registrado o menor balanço diário na segunda-feira desde abril, provavelmente a nação vai superar a marca de 100.000 vítimas fatais em junho, de acordo com vários modelos de previsão epidemiológica.

Um dos modelos, do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), revisou e aumentou na segunda-feira suas previsões de 72.000 para quase 135.000 mortos nos Estados Unidos até 4 de agosto, uma consequência da saída prematura do confinamento em algumas regiões do país.

No domingo, o presidente Donald Trump admitiu que o país deve "perder" 75.000, 80.000, ou inclusive 100.000 pessoas.

O balanço de mortes diárias diminuiu nos últimos dias na Europa, onde alguns países começaram a suspender as restrições adotadas durante semanas, mas com prudência, para evitar uma segunda onda de contaminação.

- Em busca de uma vacina -

Uma vacina é "nossa melhor oportunidade coletiva para vencer o vírus", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"Temos que desenvolvê-la, produzi-la e transportá-la para todos os cantos do mundo, a preços acessíveis", destacou a dirigente durante uma conferência de doadores.

A conferência on-line permitiu arrecadar 7,4 bilhões de euros para financiar as pesquisas sobre uma vacina.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que apenas o desenvolvimento de uma vacina, ou de um tratamento, poderá acabar com a pandemia, que obrigou bilhões de pessoas em todo planeta a permanecerem em suas casas durante semanas e que paralisa a economia mundial.

Mais de 100 projetos de vacina estão registrados no mundo, dez deles na fase de testes clínicos, segundo a London School of Hygiene and Tropical Medicine.

Ao mesmo tempo, a vida retoma uma certa normalidade em vários pontos do planeta. Primeiro estado americano a decretar o confinamento, a Califórnia começará a suspender algumas restrições durante a semana, anunciou o governador Gavin Newsom.

"Milhões de californianos respeitaram as regras do confinamento e, graças a eles, estamos preparados para começar a próxima etapa", declarou o governador democrata, sob pressão constante para flexibilizar as restrições e reativar a economia do estado, região que tem o quinto maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo.

Na Venezuela, o coronavírus (com um balanço oficial de 361 contagiados e 10 mortes) se une à pior crise da história recente do país, com hiperinflação e seis anos de recessão econômica.

Na segunda-feira, um jovem de 21 anos morreu durante um protesto contra os habituais cortes de energia elétrica em Mérida, oeste do país, em meio à quarentena decretada em março pelo governo de Nicolás Maduro.

- Economia ou saúde -

Em todo mundo, existe o mesmo dilema entre a precaução sanitária e a necessidade de retomar a atividade econômica.

Nos Estados Unidos, a pandemia afeta em cheio os haitianos que trabalham no setor avícola, uma mão de obra barata mas vital em um país que teme a escassez de carne.

"Todo dia eu rezo a Deus para que nada aconteça comigo", declarou à AFP Tina, de 27 anos, funcionária de uma unidade avícola de Georgetown, no estado do Delaware.

"Gostaria de ficar em casa com meus três filhos, mas não tenho outra escolha, as contas chegam de todos os lados", completa ela.

Na Europa, com muitas precauções, 15 países decidiram suspender na segunda-feira parte das medidas de confinamento.

Este é o caso da Espanha, uma das nações mais afetadas do mundo, com 25.000 vítimas fatais, e que iniciou um desconfinamento por fases após uma paralisação da economia durante semanas.

O governo anunciou nesta terça-feira 282.891 novos desempregados em abril, o que eleva o total de pessoas à procura de trabalho para 3,83 milhões, 8% a mais do que em março.

No Reino Unido, mais de seis milhões de pessoas estão em desemprego parcial pela pandemia.

Na Itália, os parques reabriram ao público, enquanto a Alemanha autorizou a retomada das atividades nas igrejas e museus. O país também registra fila de espera nos salões de beleza e barbearias.

Países como Portugal, Sérvia, Bélgica, Áustria, Turquia, Israel, Nigéria, Tunísia, ou Líbano, também começaram a facilitar a liberdade de deslocamentos.

- Beisebol na Coreia do Sul -

Na Coreia do Sul, a temporada de beisebol está programada para ser retomada nesta terça-feira, com cinco partidas com portões fechados. O país foi um dos primeiros focos de coronavírus no mundo.

Algumas partes do mundo ainda permanecem confinadas. Montreal, no Canadá, decidiu manter as restrições por mais uma semana, devido ao reduzido número de leitos nos hospitais.

Na ilha francesa de Mayotte, no Oceano Índico, o início do desconfinamento previsto para 11 de maio foi adiado, porque o "vírus circula livremente", afirmou o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe.

O Japão prorrogou até 31 de maio o estado de emergência, muito menos severo do que na Europa.

Ao mesmo tempo, os indicadores econômicos ruins não param de ser divulgados.

O governo australiano anunciou que a economia do país perde a cada semana 2,5 bilhões de dólares pelo confinamento.

Na França, o grupo Total anunciou a queda de 99% do lucro líquido no primeiro trimestre, a 34 milhões de dólares, contra 3,1 bilhões no mesmo período de 2019, consequência da queda do preço do petróleo.

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