Coronavírus derruba venda de livros no Brasil, informa sindicato dos editores

Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista

SÃO PAULO – A epidemia de Covid-19 fez despencar as vendas de livros no país. Em março, as vendas caíram 4,09% em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda de faturamento foi de 4,44%. Segundo a pesquisa Painel do Varejo de Livros no Brasil, apurada pela Nielsen Bookscan e divulgada pelo SNEL nesta segunda-feira (6), em março, foram vendidos 2,94 milhões de livros e o setor faturou R$ 134,61 milhões.

A quarentena imposta pela epidemia do novo coronavírus, que obrigou livrarias a fecharem as portas, é apontada como a principal razão para a queda das vendas. O mercado editorial vinha apresentando sinais de recuperação após uma severa crise que fez o setor encolher 25% entre 2006 e 2018, ano em que as duas principais redes de livrarias do país, a Saraiva e a Cultura, entraram em recuperação judicial.

– O terceiro período (marco) já experimenta o impacto da pandemia e mais uma vez o mercado editorial vê a interrupção da retomada do crescimento em função de um evento alheio – diz Ismael Borges, da Nielsen. – As próximas semanas serão dedicadas a entender o desdobramento da crise mundial.

Marcos Pereira da Veiga, presidente do SNEL, aponta que março começou bem, com aumento de 29% nas vendas do Dia da Mulher em comparação com 2019, mas a queda que houve após o fechamento do comércio foi ainda maior.

– Os números do 3T (março) começaram muito bem, mas a chegada da crise é um motivo de enorme preocupação para o mercado, já que a semana 12 apresentou uma queda de 40% nas vendas – afirma. – Nossa previsão é que este número deva piorar, pois as lojas físicas estão com faturamento praticamente zerado.

Apesar da queda nas vendas em março, o acumulado do ano é positivo. Entre janeiro e março, foram vendidos 9,58 milhões de livros e o faturamento foi de R$ 471,37 milhões, o que indica crescimento de 2,69% em volume e 1,68% em valor em comparação ao mesmo período de 2019.