Coronavírus: Doações a famílias em situação de miséria e a trabalhadores informais se multiplicam; saiba como ajudar

Bruno Calixto, Geraldo Ribeiro, Rafael Galdo e Rafael Nascimento
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Rede de solidariedade para distribuição de cestas básicas: em Caxias, na empresa que monta cestas básicas pedidos subiram 50%

RIO — Num fogareiro improvisado com pedaços de tijolos, Marco Antônio Lima, de 42 anos, e Denise Rodrigues, de 53, cozinhavam ontem o quiabo e o aipim que cataram numa feira da Tijuca. Numa sacola plástica perto da chama, guardavam os restos de sabonete líquido e outros produtos de higiene que encontraram no lixo. Tem sido assim que o casal enfrenta as incertezas da pandemia do coronavírus no Rio, onde as medidas anunciadas para proteger milhares de sem-teto, embora urgentes, ainda estão a caminho.

— Vivemos de doações. Mas até uma igreja que nos ajudava parou de distribuir quentinhas — disse Marco Antônio.

Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE divulgados no ano passado, 652,4 mil pessoas vivem em situação de extrema pobreza no Estado do Rio. Especialistas temem que boa parte delas seja infectada pelo coronavírus, e, em meio a esse cenário, o Sambódromo, anunciado com uma solução de atendimento para essa população, segue em fase de adaptações para receber doentes. Enquanto medidas anunciadas por autoridades não saem do papel, a esperança reside numa rede de solidariedade que, assim como a Covid-19, avança rapidamente a cada dia.

2,8 milhões de informais

Na semana passada, três institutos sociais do estado uniram forças para ajudar moradores de oito comunidades durante a pandemia. Além da população em situação de extrema miséria, o desafio engloba uma grande massa de trabalhadores informais, estimada no mês passado pelo IBGE em 2,8 milhões de pessoas. A ideia de formar uma grande base de apoio aos mais necessitados partiu da publicitária Luiza Serpa, umas das fundadoras do Instituto Phi — que assessora pessoas físicas e jurídicas que querem fazer doações a projetos sociais. A iniciativa, que ganhou o nome de “ Rio Contra Corona” e também conta com a gestão do Banco da Providência e do Instituto Ekloos, tem diversas frentes e já resultou na distribuição de 72 toneladas de alimentos. E mais estão por vir.

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— Precisamos nos unir para atender os autônomos que perderam seu sustento, os desempregados, as famílias pobres desamparadas nessa grave crise sanitária. Nosso objetivo também é a prevenção, evitar que a doença se alastre pelas comunidades — afirmou Luiza, que, à frente do Instituto Phi, conta com o apoio de cem investidores sociais.

Nos últimos dois dias, cerca de 2 mil cestas básicas foram distribuídas pelo “Rio Contra Corona”. A meta é dobrar as entregas até amanhã. A empresa que as prepara, localizada na Baixada, vem se esforçando para dar conta da demanda, que cresceu 50% em apenas 48 horas. Para a próxima semana, a tarefa é montar 60 mil, encomendadas por uma única empresa que quer fazer doações.

— Até o início do mês, montávamos 3 mil kits por dia. Mas só hoje (ontem) entregamos 8 mil. E boa parte é comprada por pessoas físicas que decidiram ajudar quem não consegue mais trabalhar — contou Marcos Moreira, responsável pelas vendas da empresa Cestas de Alimentos Brasil.

Cidade de Deus e Rocinha são algumas das comunidades que vêm recebendo doações de alimentos e também produtos de higiene. No Complexo da Maré, 6 mil famílias começarão a receber cestas nos próximos dias. Parte delas vive em cerca de 500 casas de madeira.

— Estamos empenhados em fazer com que o necessário chegue até a população de baixa renda — disse Andréa Gomides, fundadora do Instituto Ekloos, parceiro da ONG Redes da Maré, que ajudará na distribuição.

Contribuições para o movimento podem ser feitas pelo site riocontracorona.org.

Comida doada por chefs

Chefs de vários restaurantes do Rio também se mobilizaram para fazer doações. Setecentos quilos de alimentos foram distribuídos esta semana nas favelas da Rocinha, Borda do Mato e Nova Divineia, entre outras. As entregas são feitas em parceria com lideranças comunitárias, que reúnem as demandas das famílias mais necessitadas por meio de um cadastro, viabilizado com o apoio do coletivo @comidaderesistencia.

— É hora de socorrer quem está sofrendo mais — diz o chef João Diamante, acrescentando que interessados em fazer doações podem entrar em contato pelo telefone (21) 98383-8741.

Saiba como doar

Diamante na Cozinha e Comida de Resistência: Chefs e donos de bares e restaurantes promovem campanha de doação de alimentos e produtos de higiene pessoal como álcool em gel e sabonete para famílias que moram em comunidades do Rio. (21) 983838741.A Casa Nem e o Grupo "Transrevolução" (movimento social transgênero) promove campanha de doações de alimentos de cesta básica, produtos de limpeza e de higiene pessoal. (21) 96829-0296.A XP decidiu abrir uma campanha para doação de cestas básicas para famílias de baixa renda por causa da quarentena provocada pelo coronavírus. 4003-3710.Sem bilheteria, sua principal fonte de arrecadação, mais de 400 artistas de 17 picadeiros itinerantes têm pedido a doação de alimentos e produtos de higiene pessoal. (22) 99823-9862.Ministério da Saúde pede doações de sangue em razão do novo coronavírus. Hemorio: Rua Frei Caneca 8, Centro - 2332-8611.Ministério da Saúde pede doações de materiais como álcool gel e máscaras de proteção. Governo pede doações de álcool em gel, máscaras e luvas, Para colaborar, é preciso se inscrever pelo site do G10 - Apoie Rocinha: A campanha surgiu para fomentar o empreendedorismo local, ajudar os moradores em condição de vulnerabilidade (que perderam o emprego e não tem meios de subsistência), para aluguel de casa para montagem de um hospital de campana, compra de alimentos / montagem de marmitas, água, colchões, UTI móvel e contratação de transportes e profissionais da saúde. Pandemia com Empatia: A campanha da ONG Voz das Comunidades arrecada dinheiro que pode ser depositado numa conta da Caixa Econômica Federal (agência 0198; CC 3021-2; operação 03; CNPJ 21.317.767/0001-19).