Coronavírus: empresas aéreas e hotéis recorrem a empréstimos bilionários

Glauce Cavalcanti, com agências internacionais

RIO - Companhias aéreas americanas como American e Delta, a fabricante de aviões Boeing e empresas do setor de hotelaria, como a Marriott International, estão recorrendo a financiamentos de emergência devido ao tombo na demanda — e consequentemente na receita — em meio à pandemia do novo coronavírus.

Na segunda-feira, as aéreas americanas pediram quase US$ 60 bilhões em subvenções e empréstimos ao governo dos Estados Unidos. A hotelaria do país afirma que na situação atual a perda de receita com diárias alcança US$ 200 milhões por dia.

Esse socorro pedido ao governo pode sair dentro de uma proposta da Casa Branca de pedir ao Congresso aval para obter US$ 1,2 trilhão em recursos para despesas.

As empresas de aviação poderão precisar entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões em socorro financeiro dos governos, disse ontem Alexandre de Juniac, à frente da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata). Para a entidade, a pandemia vai resultar em uma convulsão no setor, levando à quebra de muitas empresas, a consolidação de outras e ao surgimento de novos grupos.

As americanas American e Delta negociam empréstimos de multibilionários junto a bancos. No caso da Delta, a conversa é liderada pelo JPMorgan Chase, para obter um empréstimo de US$ 2 bilhões a US$ 4 bilhões, segundo fontes contaram à Bloomberg.

A Southwest, também dos EUA, obteve crédito de US$ 1 bilhão, enquanto a United tomou US$ 2 bilhões.

A Boeing, maior fabricante de aviões do mundo, abatida pelo colapso das viagens aéreas em razão do coronavírus e da aterrisagem do 737 Max em março de 2019, discute com o governo ajuda não apenas para a própria companhia, mas também para seus fornecedores e clientes. As conversas acontecem dias após a Boeing retirar os restantes US$ 13,8 bilhões de um empréstimo tomado no mês passado.

O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que o surto de coronavírus tem um impacto para as companhias aéreas pior do que o dos atentados de 11 de setembro de 2001, e que o presidente Donald Trump prometeu apoio federal a essa indústria e a seus fornecedores.

No setor hoteleiro, a situação não é diferente. A Marriott, que emprega 130 mil pessoas no mundo, está colocando funcionários em licença temporária, mantendo o benefício de saúde desses colaboradores por ora. A companhia está fechando hotéis em meio ao surto do coronavírus e precisa de menos trabalhadores nas unidades que seguem abertas.

“Com o avanço das restrições a viagens e de medidas de distanciamento social em todo o mundo, estamos experimentando quedas significativas em demanda em hotéis globalmente com uma duração incerta”, disse a companhia em nota. “Estamos ajustando as operações a essa situação, o que significa redução de jornada ou licença temporária para muitos de nossos funcionários”.

Segundo a Associação Americana de Hotéis e Hospedagem, o setor será forçado a cortar um milhão de empregos nas próximas semanas. Um grupo que reúne dirigentes de empresas como Marriott, MGM Resorts, Walt Disney e Hilton vem trabalhando para obter apoio do governo.

Os maiores grupos da indústria europeia, da Volkswagen à fabricante de aviões Airbus, passando pela Daimler, também estão tomando medidas inéditas, fechando fábricas em toda a região.

Com a Europa agora no epicentro do surto e o avanço do coronavírus nos EUA, o isolamento social e outras restrições são entraves ao funcionamento das linhas de produção e da distribuição de peças e insumos no mundo. Ao mesmo tempo, a demanda tombou entre as companhias que alimentam o duopólio Airbus-Boeing, afetando também a indústria automotiva.

A Airbus anunciou nesta terça-feira que vai fechar suas fábricas na França e na Espanha por quatro dias. E, assim como a rival Boeing, vem conversando com governantes sobre ajuda ao setor.