Coronavírus: empresas se preparam para 'boom' na venda de vibradores

Natália Portinari e Paula Ferreira
Mito da criação do vibrador contribui para as maneiras pelas quais ainda interpretamos mal a sexualidade feminina

BRASÍLIA — O isolamento social provocado pelo coronavírus é um revés incalculável para a economia do mundo. Contrariando a tendência, porém, há um setor que prevê aumento nas vendas: empresas de objetos eróticos, que proporcionam diversão para quem está sozinho (ou acompanhado) em casa.

As medidas contra a disseminação da Covid-19 podem levar ao crescimento de até 12% na compra de vibradores e outros produtos sexuais, segundo projeção da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).

Diversos sites pelo mundo já anunciam promoções para os clientes de quarentena. A marca sueca de vibradores Lelo, por exemplo, está dando desconto de 25% em seus produtos na campanha #stayhome ("fique em casa"). Good Vibrations, Babeland e Unbound também têm descontos especiais em seus sites.

O boom inesperado na venda dos itens de prazer já acendeu o alerta do setor, que montou um guia para orientar a venda segura dos objetos sexuais pela internet. O guia inclui medidas de preservação sanitária para garantir produtos herméticos, sem chance de carregar consigo o vírus indesejado.

— Os solteiros ficam desesperados sem transar e entre os casados há aqueles que há anos não transam e têm conflitos. Ou aqueles que são bem resolvidos, mas uma hora enjoam de ficar no feijão com arroz. Nossa projeção é que os brinquedos sexuais, assim como os streamings e os jogos de tabuleiro, entrem como um apoio para passar o tempo dentro de casa durante a quarentena — opina Julianna Santos, editora da agência Mercado Erótico.

Se, por um lado, as orientações do Ministério da Saúde indicam o mínimo contato interpessoal possível, por outro, os orgasmos não podem esperar. Diante desse dilema, a digital influencer Amanda Antunes resolveu comprar um vibrador pela internet. Blogueira do Instagram de viagens “Prefiro viajar” e vinda da Índia há uma semana, a publicitária cumpre o isolamento total recomendado pelos órgãos de saúde. Com as próximas viagens suspensas e o fluxo de trabalho interrompido devido ao novo coronavírus, ela conta que boa parte do tempo livre será destinada a “conhecer o próprio corpo”.

— Eu já tinha vontade de comprar antes, mas sempre esquecia. Agora na quarentena não temos previsão de quando as coisas vão melhorar, então por que não comprar? Vou usar esse tempo que estou em casa, focada em mim, para descobrir o corpo, me divertir e aliviar a tensão sexual, porque ninguém é de ferro. Ficar por tempo indeterminado sem transar é complicado — afirma a carioca, que pagou R$250 pelo “brinquedo”.

Embora o parceiro sexual também more no Rio, as restrições da quarentena levaram-na a optar por um vibrador que pode ter a frequência acionada à distância por meio de um aplicativo, cuja senha pode ser dada à pessoa que participará do ato sexual virtual.

A adolescente paulistana C. N., 17, também já adquiriu seu antídoto contra uma eventual falta de orgasmos durante a quarentena. Namorando à distância, ela comprou um vibrador importado diante da perspectiva de passar alguns meses longe do parceiro. O principal fator que pesou na compra, segundo ela, foi "reduzir a ansiedade" do isolamento. O produto custou cerca de R$ 400.

'Masturbação é mais segura'

Na semana passada, o departamento de saúde do município de Nova York publicou recomendações para a vida sexual em meio à pandemia, destacando que a masturbação é mais segura do que o sexo a dois, já que evita a troca de fluidos corporais. O órgão, porém, destaca a importância de lavar as mãos antes e depois do ato.

A tendência de aumento na venda dos objetos para masturbação já foi notada em outros países do mundo onde a disseminação do vírus está mais avançada. A empresa alemã de sex toys, Womanizer, noticiou que suas vendas aumentaram cerca de 50% em relação ao previsto nos meses iniciais de 2020. De acordo com a companhia, o aumento aconteceu principalmente em países afetados pela quarentena do coronavírus, como a Itália e a França.

— Os números são surpreendentes. Com a perspectiva de longos períodos em casa, sozinhos ou com seu parceiro, as pessoas estão explorando novas maneiras de aproveitar ao máximo o tempo disponível — afirmou a porta-voz da empresa, Johanna Rief, à rede CNN.