Coronavírus: entenda por que exames e consultas médicas têm sido cancelados?

Ana Paula Blower
Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca

RIO — Com novo coronavírus avançando pelo país, ultrapassando dois mil casos, governos estaduais vêm tomando medidas em suas redes de saúde para poder atender pacientes com a Covid-19, doença transmitida pelo vírus. Uma destas ações, operada em estados como Rio e São Paulo, é a suspensão de exames e cirurgias eletivas, ou seja, aqueles que não têm urgência. Os esforços são, explicam especialistas e autoridades, para poupar leitos para pacientes com coronavírus e diminuir a circulação de pessoas em unidades de saúde.

No Rio de Janeiro, com exceção dos atendimentos ambulatoriais de cardiologia, oncologia, pré-natal, psiquiatria e psicologia, consultas de pacientes sem gravidade estão sendo reagendadas. Exames e cirurgias que podem ser adiados estão sendo remarcados. A situação é a mesma na rede pública e particular.

Segundo a Secretaria estadual de Saúde, “casos de biopsia guiada por ultrassonografia, e tomografia computadorizada e ressonância magnética para pacientes oncológicos, imunocomprometidos ou emergências” estão mantidos.

Em São Paulo, a orientação é a mesma, e a Secretaria de Estado da Saúde está remarcando e adiando, quando necessário, possíveis atendimentos eletivos, aqueles que não configuram urgência ou risco de morte.

O epidemiologista Eliseu Alves Waldman explica que há dois motivos principais para esta suspensão: para poupar leitos aos pacientes com coronavírus e evitar a circulação do vírus em unidades de saúde. 

— No Hospital das Clínicas (de São Paulo), foram suspensas cirurgias eletivas e consultas rotineiras para mobilizar leitos para o pico da doença e esvaziar áreas hospitalares e para diminuir a circulação de pessoas nesses lugares. Os hospitais podem constituir um foco importante de disseminação de doença — afirma o especialista do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP. — Então, é preciso separar as alas que serão dedicadas a pacientes com coronavírus dos demais para que não se infectem novas pessoas e levem novos focos em suas comunidades.

Seguindo as orientações de autoridades em saúde e, por isso, evitando a circulação e contato social, o advogado Alexandre Barroco desmarcou um exame de ressonância magnética, na última semana, que pode realizar depois, quando o surto de coronavírus diminuir no país. A clínica onde faz fisioterapia também cancelou as sessões, o que ele faria, de qualquer forma.

— Eu cheguei a confirmar o exame de ressonância, mas, ao longo do dia, pensei melhor e preferi cancelar por conta do avanço da epidemia e da necessidade de ter que me isolar para evitar contágio, sobretudo porque nesses lugares transitam muitas pessoas e exames dessa natureza requerem contato próximo também — diz o advogado, que mora em São Paulo.

Outros estados no país seguem as mesmas medidas, como Santa Catarina, que determinou, em 17 de março, a suspensão de exames e cirurgias eletivos, assim como de consultas ambulatoriais temporariamente. Segundo o governo estadual, procedimentos e cirurgias não prorrogáveis, como exames oncológicos, seguem sendo realizados.