Coronavírus: Espanha realiza funerais 'drive-thru' durante a pandemia

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Padre realiza o rito do funeral em Madrid. (Foto: AP Photo/Bernat Armangue)

Um carro preto chega em frente a uma grande funerária, em Madri. Logo em seguida, um padre aparece no local e cumprimenta, de longe, as pessoas — cinco no máximo. O porta-malas do veículo é aberto e tira-se um caixão de madeira de lá. O caixão recebe a benção e água benta do padre, até que outros funcionários chegam para carregá-lo.

A cena dura cinco minutos e se repete a cada 15 — só mudam as pessoas. É assim que a capital da Espanha, um dos países mais atingidos pelo novo coronavírus, está tendo que lidar com os mortos, como mostrou uma reportagem da "CNN".

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Além do número de familiares ser de, no máximo, cinco durante a despedida — por causa de uma lei nacional —, não há uma oração funerária. Muito menos visitas ou enterros públicos. Por isso, parentes passam mensagens por telefone para os que estarão no funeral com o objetivo de tentar compartilhar o momento.

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"Você pode ver a grande dor em seus rostos", disse, à "CNN", o padre Edduar. "Tento estar perto deles. Digo que estou com eles e que eles não estão sozinhos. Às vezes isso me chateia. Choro".

Apesar de poder contrair o vírus, o padre não utiliza máscara ou luvas:

"Pode parecer um pouco estranho, mas, neste momento histórico, considero isso um privilégio... minha vida é para as pessoas, estando com elas nesse momento crucial".

Segundo levantamento da universidade americana Johns Hopkins, a Espanha é o segundo país com mais casos de Covid-19, 140.510 — só fica atrás dos Estados Unidos. A segunda colocação no número de mortos também é do país, 13.798 — só morreram mais na Itália. Madri é o epicentro do surto, com aproximadamente 40% dos óbitos registrados. Com os necrotérios da cidade lotados, duas pistas de gelo estão sendo usadas temporariamente. Já os cemitérios dizem que estão esterrando duas ou três vezes mais do que o normal.

Félix Poveda é um dos infectados pela doença no país. Ele contraiu o vírus em um almoço em família há algumas semanas, assim como seu irmão e a mãe. Ela, aos 77 anos, no entanto, morreu. Segundo ele contou à "CNN", o médico disse que sua mãe não se qualificava para receber um respirador, que está em falta nos hospitais de Madri.

"Não sei como lidar com isso, não sei como me sentir", disse, enquanto esperava o carro funerário chegar com o corpo de sua mãe. "Estou sozinho aqui. Meu irmão e irmã não puderam vir. Minha mulher não veio. Netos e netas não vieram. Só eu. Não há como pensar que o fim poderia ser assim".