Coronavírus: estabelecimentos de Niterói recorrem a auxílio da prefeitura para evitar desmonte

Leonardo Sodré

NITERÓI — O reconhecimento e a tradição de estabelecimentos que funcionam há décadas na cidade não foram suficientes para que passassem sem percalços pela crise provocada pelo novo coronavírus. Sem poder funcionar completamente, negócios familiares que fazem parte da rotina dos niteroienses e se tornaram elementos de identidade local encontram dificuldades para se manterem firmes com suas equipes. A Florária, no Caramujo; o restaurante Gruta de Santo Antônio, na Ponta D’Areia; a Papelaria Falcão, no Centro; e a Padaria Beira Mar, em Icaraí, com o reforço do projeto Empresa Cidadã, da prefeitura, conseguirão pagar os funcionários e não vão demitir ninguém.

O município já cadastrou 2.100 empresas na primeira fase do programa, que prevê o pagamento de um salário mínimo (R$ 1.045), por três meses, para até nove funcionários de negócios que tenham no máximo 19 empregados. Em contrapartida, eles não podem demitir nos seis meses seguintes após o início do convênio. Foram poupados, calcula a prefeitura, 8.200 postos de trabalho.

Desde ontem, estão abertas as inscrições para a segunda fase do Empresa Cidadã, que pagará o mesmo benefício (um salário para até nove profissionais) a firmas de maior porte, com até 40 empregados. Esta nova etapa, cujas inscrições vão até o dia 26, também inclui clubes e entidades filantrópicas, que poderão receber um salário mínimo para até 20 funcionários. A expectativa é preservar mais cinco mil postos de trabalho.

Em atividade há 60 anos, a Florária tem 12 jardineiros, e a falta de visita dos clientes foi um baque, mas de proporções controladas, como conta Agnes Altenburg, que administra o negócio:

— Ficamos atônitos porque ninguém esperava por isso. Conseguimos nos inscrever no programa e já recebemos o primeiro mês do pagamento (de nove salários mínimos), que corresponde a 60% dos salários. O restante nós completamos. Seria ruim termos que nos desfazer da equipe, porque são pessoas treinadas, de confiança.

Maior parte da folha

Alexandre Henriques, chef da Gruta de Santo Antônio, diz que as entregas por delivery não são suficientes para a manutenção dos funcionários:

— Nossa receita com o delivery corresponde a 60% do que tínhamos antes da pandemia. Estamos há dois meses assim. Se não fosse o benefício, certamente teria que demitir dois ou três funcionários e tentar uma negociação amigável com os que trabalham há menos tempo.

Os proprietários da Beira Mar, em Icaraí, diante da crise, estavam com dificuldade para manter a equipe da Beira Mar Home, loja com nove funcionários dedicada à decoração. A gestora Paula Matta diz que o programa paga cerca de 80% dos salários.

— Foi um alívio, porque com a ajuda no pagamento de salários vamos conseguir honrar outras despesas, tributos — afirma.

Helena Falcão, uma das sócias das papelarias Falcão, instalada há 74 anos no Centro, e da Icaraí, que funciona no bairro há 52, conta que no começo da quarentena a necessidade de demissão já era dada como certa:

— Sem venda, teríamos que demitir, mas agora, com a equipe treinada e bem ambientada, estamos prontos voltar a trabalhar.

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