Coronavírus: estudo britânico sugere que pessoas acima de 50 anos devem fazer quarentena mais longa

Os maiores de 50 anos devem fazer quarentena por mais tempo do que os mais jovens e ser multados se saírem de casa. É o que sugerem pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, segundo publicou o jornal "The Daily Telegraph". O novo estudo diz que a saída mais segura do confinamento imposto pelo novo coronavírus no Reino Unido é o distanciamento social combinado com uma estratégia de liberação por idade, que poderia permitir a pessoas mais jovens e menos vulneráveis ​​deixar o isolamento mais cedo.

"Os policiais teriam que ter o direito de multar os que forem pegos violando a regra", afirma a pesquisa: "A liberação de pessoas mais jovens pode, nós acreditamos, causar ressentimento entre os maiores de 50 anos. No entanto, para tranquilizá-los, eles poderiam ser informados sobre quando chegaria a sua vez e poderiam ser incentivados a verificar um site patrocinado pelo governo detalhando o risco exato do vírus por idade".

 

 

 

A estratégia controversa do estudo é baseada em dados, de acordo com o jornal britânico, que mostram que os mais velhos correm muito mais risco de morrer se contraírem a Covid-19. O número de fatalidades entre pessoas de 50 anos é 20 vezes maior do que o das de 20 anos, enquanto a quantidade de mortes entre pacientes de 60 anos seria cerca de 50 vezes maior do que a dos de 20 anos, diz a pesquisa. Atualmente, o conselho das autoridades britânicas é que as pessoas acima dos 70 anos devem se autoisolar.

A divulgação do estudo aconteceu nesta quarta-feira, quando o número oficial de mortos no Reino Unido passou dos 26 mil após a inclusão pela primeira vez nas estatísticas do governo de fatalidades ocorridas em casas de repouso. Atingiu assim o segundo maior número de mortes na Europa, atrás apenas da Itália. Nesta quinta-feira, os britânicos registraram 26.711 mortes, contra 27.967 entre os italianos.

 

 

 

Alguns críticos da nova pesquisa, porém, afirmam que proibir grupos etários mais velhos de sair de casa puniria idosos saudáveis ​​ou colocaria em risco jovens vulneráveis. Thomas House, pesquisador de estatística matemática da Universidade de Manchester, disse ao jornal: "Se os mais jovens começarem a se misturar novamente e observarmos um aumento na prevalência de infecções por coronavírus, isso inevitavelmente aumentará o número de casos nos mais velhos, que têm maior risco de morrer uma vez infectados. Também é provável que existam muitos indivíduos mais jovens que aumentaram enormemente o risco em comparação com outros de sua idade devido a fatores que ainda não conseguimos identificar por meio de análises epidemiológicas e que, portanto, seriam seriamente induzidos a erro pelo tipo de gráficos proposto pelos autores".