Coronavírus: Estudo identifica queda no isolamento social em sete bairros do Rio; Confira

Lucas Altino e Pedro Zuazo
Ciclistas lotam a orla de Ipanema, apesar da recomendação de restrição feita por autoridades: circulação aumentou esta semana

RIO - Os cariocas foram mais às ruas esta semana do que na passada. Esta foi a conclusão da empresa CyberLabs, que vem monitorando, diariamente, a circulação de pessoas no Centro, na Zona Sul, na Tijuca e na Barra, em relação aos dias que antecederam o início do isolamento social dos que podem ficar em casa. De sábado passado até esta sexta-feira, sete bairros analisados tiveram, em média, 80% de redução do fluxo, número menor que os 85% registrados na semana anterior. Equipes do GLOBO observaram grande movimentação principalmente em bancos, mercados e ciclovias. Além do período de pagamento a aposentados nas instituições financeiras, os dias seguidos de sol após uma semana de isolamento social levaram muitos a praticarem atividades ao ar livre.

— Os dados sugerem que o número de pessoas em isolamento social caiu, especialmente em bairros como Botafogo, Ipanema, Leblon e Copacabana, que vêm apresentando menor adesão à recomendação de ficar em casa na comparação com outros locais desde o início do contexto da Covid-19 — afirmou o engenheiro mecatrônico Felipe Vignoli, sócio-fundador da Cyberlabs.

Botafogo agitado

O estudo analisou seis regiões: Centro, Barra, Copacabana, Botafogo, Ipanema/Leblon (unificados) e Tijuca. Os dias 25 e 26 (quarta e quinta-feira da semana passada) foram o período de ruas mais vazias, segundo o estudo. Nessas datas, uma única vez Ipanema e Leblon — que ficaram com uma redução de 75% nesta sexta — atingiram 90% de queda de circulação, por exemplo. Centro sempre oscilou entre 85% e 90%, a não ser nos fins de semana, quando chegou a 95%. Barra e Tijuca se mantiveram em 90% a semana toda, mas ontem o índice caiu para 85%. Já Botafogo foi o que largou mais atrás. Com muito comércio, bairro teve apenas 60% de queda de circulação no dia 23, mas chegou a 80% na sexta-feira da semana passada. Nesta sexta-feira, porém, regrediu para 70%. Outra região muito comercial e com maior presença de idosos no Rio, Copacabana vem oscilando entre 75% e 80%.

A comparação é feita com números registrados antes da pandemia da Covid-19, por meio da contagem automática das pessoas que aparecem nas imagens captadas por cerca de 800 câmeras externas de videomonitoramento. A CyberLabs identifica aglomerações em tempo real e obtém um histórico de presença de pessoas em diferentes locais.

Esse aumento de circulação já tinha sido identificado na quinta-feira. Ontem, porém, o tempo mudou, com a entrada de uma frente fria, o que deixou o céu nublado na maior parte do dia. Ainda assim, a tendência se confirmou. A orla de Ipanema, por exemplo, estava até mais cheia. As areias, no geral, continuam vazias devido à proibição estabelecida por decreto estadual, mas as ciclovias ficaram bastante movimentadas.

Anteontem, a técnica de enfermagem Maria Alice Barbosa, de 54 anos, disse ter visto três idosos entrarem no banco onde ela estava, na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, num intervalo de menos de dez minutos:

— Muitas pessoas ainda não entenderam a gravidade da contaminação.

Moradora do Leblon, Katia Conceição também observou aumento do movimento. Ela tem percebido, por exemplo, que muitas lojas fechadas abrem discretamente para fazer vendas pontuais e ônibus estão circulando com mais passageiros. Funcionária de uma agência bancária no bairro, Katia disse ter ficado impressionada com o tamanho da fila, nesta sexta.

— O fluxo foi tão grande que fechamos o atendimento às 14h, marcando a última pessoa da fila, que só chegou ao guichê às 15h30 — contou a funcionária.

O jornalista Honório Freitas foi abordado anteontem por agentes do programa Segurança Presente no Aterro quando corria na areia.

— Eles me pediram para correr na ciclovia, porque a praia está proibida. Eu acho que com esses dias de sol, as pessoas sentiram necessidade de ficar um pouco ao ar livre. É muito difícil para o carioca ficar tanto tempo confinado. Mas o principal é respeitar o distanciamento social.