Coronavírus: Evento religioso que atraiu milhares de pessoas em Bangladesh gera revolta

Milhares de pessoas em um evento religioso na cidade de Raipur, em Bangladesh

RAIPUR, BANGLADESH – Uma sessão de oração pelo novo coronavírus, com dezenas de milhares de devotos, provocou protestos em Bangladesh na quarta-feira. Cerca de 10 mil muçulmanos se reuniram em um campo aberto na cidade de Raipur, em Lakshmipur, após a primeira morte devido ao Covid-19 foi relatada no país asiático. O chefe de polícia local, Tota Miah, disse os fieis se reuniram para rezar "versículos de cura" do Corão para livrar o país do vírus mortal.

Os organizadores alegaram que o número de fiéis era de 25 mil pessoas. Ele disse que os organizadores não obtiveram permissão das autoridades para realizar a sessão.

"Eles realizaram as orações de Khatme Shifa após o amanhecer para libertar o país do coronavírus", disse Miah em entrevista à "AFP".

DICAS DO EXTRA:

As fotos do encontro foram amplamente compartilhadas nas redes sociais, com comentaristas criticando a ação. As autoridades já fecharam as escolas e pediram aos moradores locais que evitassem grandes reuniões, em um esforço para impedir a propagação da doença.

"Inacreditável como eles fizeram isso sem notificar a polícia? Eles serão responsabilizados se acontecer alguma coisa com as pessoas da região", escreveu um jovem no Facebook.

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Apesar do apelo das autoridades para evitar áreas públicas lotadas, muitos aproveitaram a oportunidade para ir a sites de turismo. A polícia disse que precisou fechar duas praias, incluindo uma no Cox's Bazar, o principal distrito turístico do país, e que abriga quase um milhão de refugiados rohingya de Mianmar.

Um líder da Liga Awami, Obaidul Quader, disse que um bloqueio pode ser necessário para conter o vírus.

"Se necessário, Bangladesh será encerrado. Será aplicado sempre que necessário. As pessoas devem ser salvas primeiro. Faremos tudo para isso", disse ele a repórteres.

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O número de casos positivos no país, de 168 milhões de pessoas, é de 14, embora alguns médicos especialistas temam que não sejam realizados testes suficientes.