Coronavírus foi tema do 'Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar'

Rodrigo de Souza*
No auditório do Grupo Globo, na última quarta-feira, Celso Ramos, a jornalista e mediadora Ana Lucia Azevedo, Claudio Domênico e Alberto Chebabo

RIO — A rápida expansão do novo coronavírus é perigosa e é preciso tomar precauções, mas sem pânico — e sem cair em mentiras que tendem a se espalhar nesses casos.

Essa foi uma das conclusões da última sessão do “Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar”, que debateu o Covid-2019, doença que já acometeu mais de 77 mil pessoas e matou 2.442 em todo o mundo, com maior foco concentrado na Ásia.

O evento é uma realização do GLOBO com patrocínio do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem) e tem a curadoria do cardiologista Claudio Domênico.

Para discutir o novo coronavírus, declarado emergência de saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a edição da última quarta-feira teve como convidados os médicos Celso Ramos, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Alberto Chebabo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ.

Em sua apresentação, Ramos destacou que, em tempos de epidemia viral, mentiras “mal-intencionadas” tendem a se espalhar e fazer vítimas entre os incautos:

— Aproveitando o surto de coronavírus, tem médico que anuncia um “imunoshot” com altas doses de vitamina C e D. Isso tudo é balela.

O especialista também explicou os movimentos de contágio de doenças infecciosas e lembrou que existem patógenos mais virulentos — ou seja, mais capazes de causar infecções graves e mortes — do que o Covid-2019, como o vírus do sarampo.

Apesar disso, Ramos defende que o novo coronavírus não deve ser subestimado, em razão sobretudo do despreparo do Brasil no suporte clínico a uma grande epidemia.

Em seguida, Chebabo citou as pesquisas mais recentes sobre o Covid-2019, segundo as quais os sintomas gerados pela infecção variam muito de caso para caso. É possível, inclusive, sofrer o contágio e não manifestar sintoma algum. Via de regra, porém, os infectados têm febre e tosse — dois dos sintomas mais registrados em pesquisas.

— Quando o coronavírus causa quadros graves, a letalidade dele é alta — explica Chebabo. — Mas os quadros leves costumam não evoluir. Ao contrário da tendência dos outros vírus, o Covid parece estar poupando as crianças.

Não há vacina nem cura

O tratamento, lembra Chebabo, é de suporte: não existe vacina nem cura. Para se precaver, a dica é lavar sempre as mãos e, em caso de epidemia deflagrada, usar máscaras, evitar locais lotados e manter distância das outras pessoas.

De acordo com Chebabo, a rede pública de saúde brasileira não suportaria a demanda em caso de surto:

— Poucos países do mundo teriam estrutura — diz o médico. — Nós mal suportamos a demanda que já existe sem o coronavírus.

Aventada pelo público, a questão do carnaval foi abordada com tranquilidade pelos médicos. Para Ramos e Chebabo, a festa não é motivo de preocupação, pois é improvável que o coronavírus chegue ao Brasil nos próximos dias.

*Estagiário, sob orientação de Marco Aurélio Canônico