Coronavírus força Mães da Praça de Maio a deixarem de marchar pela 1ª vez

SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez desde o fim da ditadura militar argentina (1976-1983), o dia da Memória Histórica, que todo ano lembra os desaparecidos durante o regime, não contará com atos e homenagens nas ruas.

Também foi a primeira semana, desde 1977, que as Mães da Praça de Maio não saíram para marchar, rotina que nunca abandonaram. O grupo costuma se reunir às quintas-feiras, diante da Casa Rosada.

O novo coronavírus obrigou mudanças no ato do dia da Memória Histórica. Haverá um "pañuelazo" —agitação de panos brancos, símbolo das mães— e a publicação nas redes sociais dos nomes de 120 intelectuais e artistas desaparecidos, além de canções, poemas e fotos, acompanhados pelas "hashtags" #MesDeLaMemoria e #ConstruimosMemoria.

A iniciativa partiu das próprias organizações de direitos humanos para tentar conscientizar as pessoas a não saírem de casa.

Por outro lado, o terça-feira (24) começou com mais de 200 detenções de motoristas nas estradas que ligam Buenos Aires ao litoral.

Os que tentavam aproveitar o feriado e a quarentena na costa vão responder na Justiça a acusação de terem violado o decreto presidencial. No dia anterior, 800 pessoas foram detidas tentando deixar a cidade.