Coronavírus: freis acolhem moradores de rua na Lapa e distribuem 1,5 tonelada de alimentos

RIO - Freis da Província Carmelitana de Santo Elias, sediada na Lapa, no Centro do Rio, já distribuíram mais de uma tonelada e meia de alimentos desde o início da pandemiado novo coronavírus. Os religiosos também abriram as portas da Associação Beneficente São Martinho para acolher moradores de rua. De acordo com o prior provincial, frei Adailson dos Santos, a iniciativa é inspirada no alerta feito pelo Papa Francisco, sobre o risco de que o vírus da "indiferença egoísta" atinja a humanidade.

— Diariamente, recebemos relatos de pais, mães e crianças dizendo que não têm mais alimento para fazer suas refeições. Portanto, precisamos, cada vez mais, estar sensíveis aqueles que mais precisam da nossa contribuição, generosidade e colaboração. A missão que temos como carmelitas é minimizar esses impactos terríveis que o novo coronavírus vem causando na vida dos nossos irmãos — afirmou o religioso.

Frei Adailson ressaltou, ainda, que os freis das diversas paróquias e comunidades em que a Província está presente também realizam ações para minimizar a dor e o sofrimento dos mais vulneráveis.

— Somente na cidade do Rio são mais de 24 mil pessoas vivendo em situação de rua e os carmelitas, sensíveis a essa situação como sempre estiveram, abriram seus espaços sociais para acolher essa população. Mais de uma tonelada e meia de alimentos já foram distribuídos para os nossos irmãos, nas mais diversas comunidades da cidade — disse o frade.

O diretor da Associação Beneficente São Martinho, Frei Bruno Castro Schröder, afirmou que uma profusão de elementos vêm à mente de todos quando se pensa em ação social dentro da Igreja Católica.

— A São Martinho, enquanto obra dos frades carmelitas na cidade do Rio de Janeiro, tem em sua constituição os valores da Tradição, das Sagradas Escrituras e do Magistério da Igreja, portanto, ir ao encontro daqueles que mais necessitam, em especial, os irmãos em situação de rua, é o que a move e a sua razão de existir. Entretanto, ao olharmos para a São Martinho, temos uma realidade mais abrangente: é nossa missão ir ao encontro dos mais necessitados, contudo, temos nos permitido a ousadia de sempre buscar ir mais além, lançando mão da capacitação dos adolescentes para seu primeiro emprego e seu ingresso no Ensino Superior — explicou.

A iniciativa, voltada para o cuidado com a população de rua adulta, será realizada enquanto vigorar os decretos publicados pelas autoridades civis do Rio de Janeiro, além das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), com medidas de isolamento social. Frei Bruno Schröder contou mais detalhes sobre como o projeto acontece na prática:

— Estamos dispondo de chuveiros, roupas limpas, refeições e cestas básicas para as famílias, assim como estamos mobilizando os nossos recursos humanos para ajudar as famílias a se cadastrarem nos programas emergenciais de auxílio disponibilizadas pelo governo.