Coronavírus: funcionários de Amazon, Walmart e outras grandes empresas farão greve conjunta nos EUA nesta sexta

Uma coalizão sem precedentes de trabalhadores de algumas das maiores empresas dos Estados Unidos entrará em greve nesta sexta-feira, 1° de maio, informa o "The Intercept". Funcionários da Amazon, Instacart, Whole Foods, Walmart, Target e FedEx vão cruzar os braços ao mesmo tempo, alegando que as companhias estão tendo lucro recorde às custas da saúde e da segurança de seus empregados durante a crise do novo coronavírus.

"Estamos agindo em conjunto com os funcionários de Amazon, Target, Instacart e outras empresas no Dia Internacional do Trabalhador para mostrar solidariedade com outros trabalhadores essenciais em nossa luta por melhores condições na pandemia", disse ao site americano Daniel Steinbrook, empregado da Whole Foods e organizador da greve.

O movimento acontece no momento em que funcionários denunciam que a Amazon, em particular, não tem sido honesta sobre o número de casos do Covid-19 em seus mais de 175 centros de atendimento em todo o mundo, de acordo com o "The Intercept". Jana Jumpp, empregada da companhia em Indiana (EUA), juntamente com sua pequena equipe de colegas da Amazon, vem rastreando no último mês os casos de coronavírus em armazéns da Amazon no país. De acordo com ela, houve pelo menos 500 ocorrências em 125 Instalações.

 

 

 

Jumpp suspeita que o número seja muito maior, mas diz que é isso que ela e sua equipe foram capazes de confirmar diretamente por meio de suas fontes, que incluem capturas de tela de textos internos da empresa e mensagens de voz para os funcionários quando surgem casos, além de mensagens recebidas em grupos privados do Facebook.

A companhia repudiou a informação. "Embora respeitemos o direito das pessoas de se expressar, contestamos as ações irresponsáveis ​​de grupos trabalhistas de espalhar informações errôneas e fazer falsas alegações sobre a Amazon durante essa crise econômica e de saúde sem precedentes", disse a porta-voz Rachael Lighty ao site: "Adotamos medidas extremas para entender e resolver essa pandemia".

A greve de 1º de maio é a mais recente de uma onda de ações lideradas por trabalhadores da linha de frente sindical e não sindical nos EUA, diz o "The Intercept". No mês passado, funcionários da Amazon na cidade de Nova York e mais de dez mil empregados da Instacart (serviço de entrega de mercadorias) em todo o país fizeram uma paralisação.

 

 

 

Os trabalhadores da Whole Foods (rede de supermercados) lideraram uma greve nacional em 31 de março, enquanto mais de 800 funcionários cruzaram os braços em um frigorífico do Colorado, quando casos de coronavírus foram confirmados na fábrica. Empregados da companhia de saneamento de Pittsburgh e motoristas de ônibus em Detroit, por sua vez, promoveram greves violentas.

"Esses trabalhadores têm sido explorados de forma tão descarada por tanto tempo por essas empresas, realizando tarefas incrivelmente importantes, mas em grande parte invisíveis", afirmou ao site o historiador do trabalho Stephen Brier: "De repente, eles são considerados trabalhadores essenciais em uma pandemia, o que lhes dá enorme poder se eles se organizarem coletivamente".

A coalizão de funcionários tem uma série de demandas, entre elas: compensação por todas as folgas não remuneradas utilizadas desde o início da crise da Covid-19 em março; pagamento de adicional de periculosidade ou licença médica paga a ser fornecida durante a duração da pandemia; equipamentos de proteção e todos os materiais de limpeza fornecidos pela empresa; e transparência corporativa no número de casos em instalações.