Coronavírus: funcionários de hospital usam fralda por falta de tempo para ir ao banheiro

Independent e O Globo, com agências internacionais

WUHAN — Trabalhadores chineses da área da saúde estão usando fraldas para adultos porque não têm tempo de ir ao banheiro devido à grande demanda de pacientes em decorrência do surto do novo coronavírus. Outros preferem usar as fraldas para não precisarem remover seus trajes de proteção e correr o risco de rasgá-los. As informações foram dadas pelo Independent.

Os moradores de Wuhan, epicentro da epidemia do coronavírus na China, descrevem como um filme de terror o cenário caótico atual nos hospitais da cidade. Corredores lotados, pacientes abandonados e uma espera angustiante e interminável. Até o momento, o coronavírus matou 56 pessoas e infectou outras 2 mil.

No hospital da Cruz Vermelha, vários pacientes relataram o seu cansaço e impotência diante da AFP. Todos aceitaram comentar a situação, mas preferiram não se identificar.

— Há dois dias não durmo e fico andando de hospital em hospital. No melhor dos casos, irão me atender amanhã de manhã — conta um homem, de 30 anos, que está com febre e gostaria de ser examinado.

A epidemia gerou uma psicose na cidade. Muitas pessoas têm ido às urgências hospitalares desesperadas para saber se contraíram o novo vírus.

Na entrada do hospital, uma longa fila de doentes exercitam a paciência durante a longa espera. No local, aguardam sua vez para ser atendidos em pé ou sentados em pequenos bancos de plástico. Outros, mais prevenidos, trouxeram suas próprias cadeiras desmontáveis.

Diante da multidão de pacientes, os esforços parecem insuficientes: a epidemia surgiu no país pouco antes do Ano Novo chinês, quando milhares de trabalhadores retornam para as suas cidades de origem, sobrecarregando o sistema de saúde de cada um desses locais.

— As enfermeiras são muito determinadas, mas o gerenciamento dessa situação é caótico — admite uma mulher, de 60 anos, que se apoia no filho para conseguir manter-se de pé.

Segundo o seu relato, ela teve a sorte de "somente esperar cinco horas para ser atendida".

Pouco depois, um idoso queixou-se de ter perdido todo o dia à espera do atendimento e ser mandado para casa por não haver camas disponíveis.