Coronavírus: Garis incluem o álcool gel e máscaras nos ítens de proteção para enfrentar as ruas

Geraldo Ribeiro
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Charleston e Leandro recorrem a álcool gel e máscara nas ruas

Os garis, que ao contrário de boa parte da população, não podem atender a recomendação das autoridades sanitárias de ficar em casa e muito menos fazer o home office, estão redobrando os cuidados com a proteção para evitar a contaminação pelo coronavirus. O álcool gel entrou na rotina deles como item de proteção, assim como as luvas. Mas, o frasco que Maria do Carmo Silva, de 52 anos, carregava nesta quinta-feira, foi comprada por ela mesma, segundo a gari, que estava preocupada com os riscos da contaminação.

— Na rua nem me preocupo tanto, porque elas estão mais vazias. O medo maior é no transporte coletivo. A van que pego, por exemplo, são 15 passageiros sentados e cinco em pé todos os dias — disse a gari que depende de três conduções (metrô, trem e van) para se deslocar entre sua casa, em Belford Roxo, e o trabalho, no Estácio.

A colunista Berenice Seara, do EXTRA, noticiou que o gabinete do vereador Babá tem recebido denúncias de garis sobre a ausência de sabonete e álcool gel para uso dos profissionais na Comlurb. Porém, a companhia negou que haja falta de produtos de higiene e materiais necessários para uso dos garis e que “todas as gerências estão com o estoque regularizado de água, sabão, produtos de limpeza e de higiene, para a categoria.”

O medo da doença fez com que o gari Rafael de Lima Castro, de 35 anos, adotasse a máscara, que ele mesmo comprou, nos seus itens de proteção. O rapaz também não dispensa a luva que, já utilizava, e segundo o rapaz virou “segunda pele”. Ele disse que a preocupação maior é levar a contaminação para casa.

— Foi uma decisão minha (o uso da máscara). Me cuido e com isso evito me contaminar e passar (o vírus) para os outros. A luva, que já era obrigatória, agora é como se fosse uma segunda pele. Minha preocupação maior é de levar a doença para casa. Meus pais têm mais de 60 anos e me cuido também por eles — justificou o rapaz, ao lado do colega Carlos Teixeira, de 43, que apesar de também preocupado dispensou os itens de proteção, no intervalo do trabalho.

Leandro Souza Ribeiro, de 38 anos, que fazia serviço de corte de grama na Lapa contou que a máscara era um item de proteção que ele já usava, por conta da característica do serviço, mas que agora virou necessária para evitar o contágio. O gari, que não abre mão das luvas, recorreu ao frasco de álcool gel do colega Charleston Reston Silva Chagas, de 36 anos, que trabalha num caminhão de coleta, para higienizar as mãos.

— Como corto grama, o uso de máscara já era algo natural, porque pedaços das folhas voam em direção ao nosso rosto. Agora ela ajuda também a proteger contra o corona vírus —acredita.

Charleston disse que pegou o frasco de álcool gel na gerência onde trabalha e carrega o produto sempre consigo, para higienizar as mãos. Embora não mexa diretamente com o lixo, o motorista do caminhão, Leonardo Valério Kifer, de uma empresa terceirizada, disse que corre o mesmo risco. Ele contou que foi orientado a manter o reservatório de água sempre cheio para a higiene das mãos. Já o sabão é individual. Cada um leva o seu.

— Estamos todos no mesmo barco. Um descuido deles (dos garis) e posso também ser contaminado. Todos estamos preocupados, mas o serviço não poder parar. O jeito e nos proteger — disse.

A Comlurb informou que desde que a contaminação pelo novo coronavírus foi declarada como pandemia, vem tomando todas as medidas para proteger os seus cerca de 14 mil garis. “A Comunicação Corporativa da Companhia tem passado massivamente informações oficiais de cuidados e proteção por meio de App, comunicados internos, e-mail corporativos e redes sociais, para todos os funcionários da Comlurb”, informou,por meio de nota, acrescentando que muitas dessas medidas já eram rotinas, como uso de luvas. Os que trabalham em hospitais, ainda utilizam máscaras, avental e óculos de proteção.

A companhia informou também que, atendendo as recomendações das autoridades sanitárias, os funcionários com mais de 65 anos, independentemente da condição de saúde, foram dispensados. Garis de todas as idades, mas que fazem parte do grupo de risco, preconizado pelo Ministério da Saúde, como hipertensos, diabéticos etc. também foram dispensados, bem como qualquer um que demonstre sintomas de gripe, devidamente caracterizados. “A limpeza das gerências, caminhões, vans, equipamentos e tudo mais usado pelos garis está sendo redobrada de forma ostensiva e com os produtos adequados”, informou a Comlurb.