Coronavírus: governo quer aumentar horário de atendimento dos postos de saúde

O Ministério da Saúde deve lançar algumas medidas que vão ajudar no enfrentamento ao novo coronavírus, que já teve nove casos confirmados no Brasil, incluindo dois de transmissão interna, ou seja, contraídos dentro do próprio país. Entre elas está a ampliação do horário de atendimento dos postos de saúde, e o preenchimento de vagas pelo programa "Mais Médicos" nas capitais e cidades maiores.

O novo vírus costuma provocar febre e sintomas respiratórios, já tendo matado mais de 3 mil pessoas no mundo. Na quarta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, informou que haveria um novo edital do programa Mais Médicos em razão de alguns entraves burocráticos que estão impedindo a implantação de outro programa, o Médicos pelo Brasil.

O novo texto foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado em dezembro de 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo Mandetta, havia distorções no Mais Médicos, que acabou alocando muitos profissionais nas grandes cidades, onde não seriam necessários incentivos para isso. Assim, foi lançado um novo programa.

Agora, em razão do novo coronavírus, que deve atingir mais justamente as grandes cidades, o discurso foi ajustado. Na quinta-feira, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, detalhou os planos para o Mais Médicos.

Gabbardo destacou que a previsão inicial era beneficiar as cidades classificadas nos níveis 4 a 8, que são as menores e mais vulneráveis, deixando de fora as de níveis 1 a 3, que incluem capitais e cidades maiores. O edital deve ser lançado nos próximos dias.

— O ministro já sinalizou uma alteração. Vamos incluir cidades dos níveis 1, 2 e 3, porque os dados estão nos mostrando que onde existem as maiores concentrações demográficas é que os casos vão ocorrer. Provavelmente ali teremos os números maiores. São nas cidades, capitais. Não teria sentido trabalhar na recomposição das cidades menores, ou aquelas mais vulneráveis, mas não colocar médicos nas capitais — disse o secretário-executivo.

Assim como previsto na lei do Médicos pelo Brasil, o novo edital do Mais Médicos vai permitir a inscrição dos cubanos que participavam do programa, mas que tiveram de deixá-lo após o governo de Cuba romper a pareceria que tinha com o Brasil. Atualmente, o Mais Médicos tem apenas dez cubanos, de um total de 13.845 profissionais.

Gabbardo também explicou que a Secretaria de Atenção Primária à Saúde da pasta está trabalhando "firmemente" em portarias que serão assinadas por Mandetta para ajudar no atendimento à população, mas que isso ainda depende de estudos, inclusive sobre o impacto financeiro.

Uma das medidas é a expansão do programa Saúde na Hora, que já levou à ampliação do horário de atendimento em alguns postos de saúde, por meio de repasses financeiros às prefeitura. Em razão do novo coronavírus, um dos critério para aderir ao programa foi modificado.

— As unidades passam a receber recurso adicional para manter unidade aberta por um período maior, 12 horas pelo menos. Havia um critério de ter pelo menos três equipes para se habilitar no Saúde na Hora. Nós vamos flexibilizar isso, vamos criar uma nova modalidade, que é possibilitar que uma unidade com duas equipes de saúde da família também possa participar e receber recursos adicionais — disse Gabbardo.

O secretário-executivo afirmou, ainda, que a pasta ainda calcula o orçamento dedicado à medida:

— Qual o valor? Ainda não sabemos. Estamos calculando para saber qual o incentivo financeiro que será dado a essas unidades com duas equipes e vão estender o horário de atendimento à população.

Na terça-feira, Gabbardo já tinha comentado a expansão do horário dos postos. O objetivo, disse ele, é fazer com a que a população procure esses locais para o primeiro atendimento, evitando hospitais e unidades de pronto atendimento (UPAs).

— Nós queremos impedir, nós queremos diminuir a possibilidade que as pessoas tenham que buscar o primeiro atendimento, quando os casos ainda são leves, são os primeiros sintomas, que ela vá diretamente a um hospital, vá diretamente a uma emergência, vá diretamente a uma UPA. Nós queremos que elas compareçam nas unidades básicas de saúde — disse o secretário-executivo.

Gabbardo ainda completou:

— Para isso, nós vamos ter uma nova política de incentivo principalmente para ampliação do horário de atendimento. Nós vamos de todas as maneiras trabalhar com as prefeituras, com os municípios, botando mais recursos para que elas possam ampliar o horário de atendimento e dessa forma poder atender uma nova demanda que deve ocorrer a partir de agora.

O secretário, no entanto, não quis dar um meta de quantas unidades ampliarão seu horário de atendimento:

— Isso está dentro dos estudos que estamos trazendo. Tudo o que a gente está fazendo está relacionado com o cenário de como está o movimento da doença (provocada pelo novo coronavírus).

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    Sem citar nomes, Bolsonaro ameaça demitir 'estrelas'

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sem citar nomes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse neste domingo (5) que integrantes de seu governo "viraram estrelas" e que a hora deles vai chegar. Em uma ameaça velada de demiti-los, disse não ter "medo de usar a caneta". "[De] algumas pessoas do meu governo, algo subiu à cabeça deles. Estão se achando demais. Eram pessoas normais, mas, de repente, viraram estrelas, falam pelos cotovelos, tem provocações. A hora D não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles, porque a minha caneta funciona", afirmou Bolsonaro a um grupo de cerca de 20 religiosos que se aglomerou diante do Palácio da Alvorada. "Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil. Não é para o meu bem. Nada pessoal meu", disse o presidente. Bolsonaro não falou com os jornalistas nem permitiu que a imprensa se aproximasse do local onde conversou com os religiosos. No entanto, parte da conversa foi transmitida pelo próprio governo em suas redes sociais. Outros trechos da fala de Bolsonaro foram gravados por apoiadores. Nos últimos dias, Bolsonaro vem se estranhando com seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e chegou a afirmar que falta humildade ao seu auxiliar e que ele extrapolou. O presidente tem divergido, entre outras coisas, das medidas de isolamento social defendidas por Mandetta para combater a pandemia do coronavírus. Bolsonaro adotou um discurso contrário ao fechamento de comércio nos estados, enquanto Mandetta defende que as pessoas fiquem em casa. Logo após essa declaração, dada na quinta-feira (2), o ministro reagiu e disse: "Não comento o que o presidente da República fala. Ele tem mandato popular, e quem tem mandato popular fala, e quem não tem, como eu, trabalha". Nos bastidores, Mandetta tem dito a aliados que não pretende pedir demissão e só sairá do cargo por decisão de Bolsonaro. Procurado pela reportagem para se manifestar sobre as declarações do presidente neste domingo, o ministro não respondeu. Além de Mandetta, outros ministros têm discordado de Bolsonaro nessa crise. Conforme a Folha de S.Paulo mostrou, Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) se uniram nos bastidores no apoio ao colega da Saúde e na defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população. O trio formou uma espécie de bloco antagônico. Com o apoio de setores militares, criou-se um movimento oposto ao comportamento do presidente. Segundo pesquisa Datafolha realizada na semana passada, a aprovação da condução da crise do coronavírus pelo Ministério da Saúde disparou e já é mais do que o dobro da registrada por Bolsonaro. Governadores e prefeitos também têm avaliação superior à do presidente. Na rodada anterior, feita de 18 a 20 de março, a pasta conduzida por Mandetta tinha uma aprovação de 55%. Agora, o número saltou para 76%, enquanto a reprovação caiu de 12% para 5%. Foi de 31% para 18% o número daqueles que veem um trabalho regular da Saúde. Já o presidente viu sua reprovação na emergência sanitária subir de 33% para 39%, crescimento no limite da margem de erro. A aprovação segue estável (33% ante 35%), assim como a avaliação regular (26% para 25%)."‹ A relação entre o ministro e Bolsonaro vem numa escalada de tensão e subiu no final de março, quando o presidente resolveu dar um passeio pela periferia de Brasília, contrariando todas as orientações do Ministério da Saúde. O giro de Bolsonaro ocorreu um dia após Mandetta ter reforçado a importância do distanciamento social à população nesta etapa da epidemia do coronavírus. Neste domingo, Bolsonaro, que já demitiu quatro ministros ministros (Gustavo Bebianno, Ricardo Vélez, Santos Cruz e Osmar Terra) e deslocou outros três (Floriano Peixoto, Gustavo Canuto e Onyx Lorenzoni) desde que assumiu o poder, em 2019, disse ter errado na escolha de alguns deles. "Escolhi, critério técnico, errei alguns, alguns já foram embora. Estamos vivendo agora um novo momento. Uma crise, chegou no mundo todo, não deixou o Brasil de fora. O outro problema que vivemos é a questão do desemprego", disse Bolsonaro. Desrespeitando as recomendações das autoridades sanitárias, ele e seu ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) fizeram uma aglomeração com evangélicos que jejuaram durante todo o dia diante da Alvorada. O presidente, que convocou o jejum como forma de combater o coronavírus, recebeu aliados, entre eles o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF). De acordo com o ex-deputado, Bolsonaro estava de jejum desde a 0h de domingo e havia tomado apenas uma xícara de café. "Só o cafezinho. Não vi ele comer nada", disse. Segundo Fraga, o presidente relatou sua preocupação com a situação econômica. "Claro que ele está preocupado demais com a situação do país, dizendo que a economia já foi para o beleléu", afirmou. Apesar disso, o ex-deputado disse que Bolsonaro não vai editar nenhuma medida para reabrir o comércio, como chegou a anunciar que cogitava. "Não vai fazer decreto. Ele tem consciência de que se fizer um decreto, o Congresso derruba", disse Fraga. Embora tenha apertado a mão e abraçado um pastor, Bolsonaro não atendeu a pedidos de posar abraçado com fiéis. "Eu vou ser esculhambado pela imprensa", disse a uma mulher. Bolsonaro e os apoiadores oraram, e o presidente chegou a se ajoelhar no chão com eles. Ao falar das consequências econômicas oriundas do coronavírus, afirmou que o Brasil tem um povo "até pacífico demais". "Nenhum país no mundo tem o que a gente tem, em especial o povo, até pacífico demais até muitas vezes. Mas a gente tem que pregar isso, uma mensagem de paz e não de terrorismo, histeria, como foi pregado junto ao povo brasileiro", disse o presidente. Em mais um ataque a governadores, com quem vem travando uma disputa política em torno das medidas restritivas, ele disse, sem citar nomes, que os chefes dos estados agem por motivações políticas. "Cada chefe do Executivo querendo dizer que determinou mais medidas restritivas do que o outro, como se estivesse preocupado com a vida de alguém. Alguns se renderam às decisões desses governantes e acabaram cumprindo. Já tem gente que está voltando atrás, tem chefe que está voltando atrás", afirmou Bolsonaro. Ainda neste final de semana, a AGU (Advocacia-Geral da União) afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o governo Bolsonaro tem seguido todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde no combate à pandemia, incluindo medidas de isolamento social. Apesar das recorrentes críticas de Bolsonaro ao isolamento, a AGU disse que as medidas adotadas até aqui visam justamente manter as pessoas em casa, a exemplo do auxílio emergencial a trabalhadores informais. A manifestação foi feita na ação em que o ministro Alexandre de Moraes deu 48 horas para Bolsonaro prestar esclarecimentos sobre o pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para que a corte obrigue Bolsonaro a seguir as recomendações da OMS. Sem citar o Ministério da Saúde, o advogado-geral da União, ministro André Mendonça, que assina a peça, afirma que todas as pastas da Esplanada têm atuado de maneira coordenada, "observadas as competências de cada uma delas".

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    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cancelou na tarde deste sábado (4) uma medida publicada no Diário Oficial do Estado que autorizava escritórios de advocacia e de contabilidade a continuar funcionando presencialmente mesmo durante a pandemia de coronavírus. A medida revogada permitia, apesar da quarentena, que funcionários de ambas as categorias trabalhassem nos escritórios e recebessem clientes. O publico geral, no entanto, continuava proibido de entrar nos escritórios. Com a divulgação da medida adotada pelo Comitê Administrativo Extraordinário Covid-19 por jornais e portais de notícias, Doria voltou atrás e anunciou em sua conta no Twitter a suspensão. Em nota, publicada nesta sábado antes da revogação da medida, o Sasp (Sindicato dos Advogados de São Paulo) repudiou a deliberação do comitê estadual de resposta a Covid-19. "Na prática, [a medida] cancela a quarentena dos Escritórios de Advocacia e de Contabilidade, permitindo o retorno dos advogados e contadores às suas atividades, inclusive para recebimento de clientes, após evidente pressão do lobby desses setores", diz o comunicado. O texto da deliberação 8 do dia 3 de março de 2020 prevê que a quarentena instituída por decreto "não se aplica às atividades internas de escritórios de advocacia e contabilidade". Os prédios comerciais e lojas de peças e assessórios para veículos também faziam parte da exceção. Em nota, divulgada na manhã deste sábado, o governo estadual negou, antes de revogar a medida, que tivesse havido modificações no funcionamento dos escritórios de contabilidade e advocacia e de lojas de peças e acessórios de veículos. "A deliberação 8 do Comitê Administrativo Extraordinário COVID-19, publicada no Diário Oficial deste sábado (4), apenas esclarece dúvidas do setor. Nada muda, portanto", diz o texto.

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    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No dia marcado para um jejum nacional convocado por ele, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu aliados, tomou uma xícara de café e falou de sua preocupação com a situação econômica do país em meio à crise do coronavírus. Pela manhã deste domingo (5), o presidente recebeu o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, e o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), amigo de longa data. Por volta das 10h, Fraga chegou ao Palácio da Alvorada, onde grupos religiosos já estavam reunidos para o jejum convocado por líderes evangélicos e pelo próprio presidente para o país superar a crise desencadeada pela pandemia. De acordo com o ex-deputado, Bolsonaro estava de jejum desde a 0h de domingo e havia tomado apenas uma xícara de café. "Só o cafezinho. Não vi ele comer nada", disse. Segundo Fraga, que já foi cotado algumas vezes nos últimos meses para se tornar ministro, o presidente relatou sua preocupação com a situação econômica do país. "Claro que ele está preocupado demais com a situação do país, dizendo que a economia já foi para o beleléu", disse. "O caos social que vai vir vai matar muito mais que o corona. Por enquanto só se fala na morte do corona, mas vai ser muito problemático", afirmou. Apesar disso, o ex-deputado disse que Bolsonaro não vai editar decreto para reabrir o comércio, como chegou a anunciar que cogitava. "Não vai fazer decreto. Ele tem consciência de que se fizer um decreto, o Congresso derruba", disse Fraga. Na semana passada, em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro disse que poderia dar uma canetada para derrubar as decisões de governadores e prefeitos e determinar a reabertura do comércio. "Para abrir comércio, eu posso abrir em uma canetada. Enquanto o Supremo e o Legislativo não suspenderem os efeitos do meu decreto, o comércio vai ser aberto. É assim que funciona, na base da lei." O presidente defendeu que, a partir da próxima segunda-feira (6), estados e municípios determinem uma reabertura gradual da atividade comercial, evitando um aumento no desemprego. O especialista em direito constitucional Acacio Miranda da Silva Filho lembra que a Constituição estabelece a divisão de competências entre os entes federados. "Não seria possível porque o pacto federativo dá esta atribuição aos municípios. Ele só poderia fazê-lo a pretexto de regulamentar a ordem econômica, o que acho forçoso neste momento", afirma Silva Filho. O professor Julio Hidalgo vai além e pondera que não há previsão para que se determine a reabertura do comércio por decreto. "Um decreto não pode se sobrepor à Constituição, a uma lei. Você pode fazer isso através de lei, mas não por meio de um decreto, que é um ato unilateral do presidente da República. A ideia é natimorta. Horário de funcionamento de comércio é considerado de interesse local, cabe ao município decidir este tipo de situação", diz o jurista. Neste domingo, Bolsonaro teve também a companhia do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um de seus filhos, que deixou o Palácio da Alvorada acompanhado da mulher, Heloísa Wolf, pouco antes do fim da tarde. Mais cedo, grupos de evangélicos se reuniram em frente ao Palácio da Alvorada para jejuar e rezar pelo presidente Bolsonaro. Após o chefe do Executivo e líderes religiosos convocarem a população para um jejum nacional, fiéis foram até a residência oficial do presidente para fazer orações para que o país supere a crise do novo coronavírus. Bolsonaro passou o dia em casa e não saiu para falar com apoiadores na porta do palácio, mas teve reunião com aliados e assessores. No sábado (4), o presidente havia publicado nas redes sociais um vídeo com diversos pastores chamando para o jejum. O deputado Roberto Lucena (Podemos-SP), que é pastor e participou do vídeo, afirma que está de jejum e que dedicou toda a manhã para rezar. O objetivo de passar o dia sem se alimentar, explica, é para livrar o país e o mundo da doença. "A campanha tem o sentido de trabalhar como se tudo dependesse de nós e orar como se tudo dependesse de Deus. Fazer tudo que está ao nosso alcance", disse.

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