Coronavírus: Hospital no Riocentro abre nesta sexta para tentar desafogar UPAs

Luiz Ernesto Magalhães
Leitos no pavilhão 3 do Riocentro: mais respiradores no dia 9

RIO - Com capacidade para 500 leitos, o hospital de campanha que a prefeitura construiu no Riocentro será inaugurado nesta sexta-feira para tentar desafogar as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) do Rio, que estão lotadas de pacientes contaminados pelo novo coronavírus e não têm estrutura adequada para receber quem está com a doença. Nos últimos dias, cresceu o número de pessoas que aguardam, sentadas em cadeiras das unidades, a transferência para um hospital da rede pública no Rio. Em reportagem publicada na quarta-feira, O GLOBO mostrou que 25 das 30 UPAs estaduais e municipais do Rio estavam com suas salas vermelhas esgotadas.

Por falta de equipamentos, principalmente respiradores, o hospital de campanha será aberto com apenas 20% dos leitos previstos inicialmente. Serão disponibilizados 80 leitos comuns, dos 400 que serão criados, e 20 de CTI, em vez de cem. A previsão da prefeitura é que novas vagas sejam abertas quando 300 respiradores comprados na China chegarem ao Rio, no dia 9.

Mesmo diante de um cenário longe do ideal, a cardiologista Valesca Antunes Marques, que chefiará a unidade no Riocentro, diz que a inauguração será um alívio para a rede:

—Amanhã mesmo (hoje), o hospital já vai funcionar. A prioridade será receber pacientes das UPAs.

Quando a unidade estiver com todos os leitos abertos, terá uma equipe de aproximadamente 1,5 mil profissionais, entre médicos (muitos ainda em contratação), enfermeiros, fisioterapeutas e pessoal de apoio. Nessa primeira fase, serão cerca de 230 pessoas.

Localizado no Pavilhão 3, o mais moderno do centro de convenções (teve a estrutura recuperada após um incêndio provocado por uma queda de balão em 2018), o hospital conta com centro de imagens, um setor de CTI e tem uma área separada para pacientes em recuperação. Como as visitas serão proibidas, os pacientes que estiverem em condições manterão contato com os parentes por tablets.

A chefe do hospital de campanha acredita que terá também a companhia de colegas de profissão que estão se oferecendo como voluntários.

— Um colega que se ofereceu é ortopedista, já teve a doença e se propôs a integrar a equipe.