Coronavírus: Idosos ignoram recomendações e vão às feiras; prefeitura determina funcionamento a cada 15 dias

Rafael Nascimento de Souza
Feiras livres vão passar a funcionar a cada 15 dias por causa do coronavírus

RIO - Antes de a prefeitura do Rio determinar que as feiras livres acontecerão apenas a cada 15 dias, a movimentação desta quinta-feira foi normal na Rua Morais e Silva, na Tijuca. Sobretudo com a presença de idosos nas barracas de frutas e verduras, ignorando a orientação de não sair de casa por fazerem parte do grupo de risco de contrair o coronavírus.

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— Venho a feira há 50 anos e, mesmo com essa doença, não vou deixar de comprar as minhas frutas, verduras e legumes. Estou usando a máscara e passo o gel com frequência — diz a aposentada Liegê Coutinho, de 83 anos. As máscaras, no entanto, são recomendadas apenas para quem apresenta sintomas da doença. — Quando chego em casa tiro a roupa usada aqui e tomo banho.

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Liegê não estava sozinha desobedecendo as ordens do governo e da família. A aposentada Terezinha Bento da Costa, de 81 anos, não escutou as recomendações dos três filhos e foi bater perna na feira, como faz há 25 anos na Tijuca. Saiu de casa acompanhada da cuidadora e passou de barraca em barraca olhando e escolhendo o que iria levar na sacola.

— Vou à feira desde os meus 8 anos de idade. Agora, vou deixar de frequentar? Não. Venho e depois quando chego em casa me higienizo — diz dona Terezinha.

Indagada sobre o funcionamento das feiras apenas a cada 15 dias, a aposentada diz que não vai deixar de sair de casa para fazer as compras.

— Se suspenderam as feiras, vou para o mercado. Não vou deixar de sair de casa.

O funcionário público Elias Kaluf Mizrahy, 49, e a namorada, a aposentada Vera Lúcia Senra de Castilho, 63, também eram um dos clientes da feira. O casal usava máscaras.

— Por conta da aglomeração das pessoas, decidimos usar como proteção — diz Mizrahy. De acordo com o funcionário público, houve uma diminuição de pessoas no local. — Há seis anos, é a primeira vez que vejo menos pessoas aqui.

Coronavírus e o prejuízo

A redução dos dias das feiras livres divide os clientes. Elias Mizrahy concorda com a determinação municipal que tenta evitar a propagação do vírus:

— Seria uma excelente ideia. Acho que toda medida adotada, para interromper que a doença contamine mais pessoas, é válida.

Já o aposentado Josué do Nascimento, 68 anos, discorda das medidas. Para ele, basta proteção extra.

— É um absurdo interromper. É só as pessoas vieram para cá protegidas — explica.

Os barraqueiros já sentem os efeitos do coronavírus nas vendas. O vendedor Carlos André Ferreira diz que desde que o vírus chegou ao estado, o número de fregueses caiu. Segundo Ferreira, sem citar valores, ele já amarga um prejuízo de 50% de tudo o que comprou neste mês para vender na feira. Carlos André diz que está preocupado com o futuro.

— Se fecharem as feiras, como vou ter dinheiro. Emprego três funcionários e dependemos daqui para pagar as nossas contas. Infelizmente, estou apreensivo — conta o vendedor que a todo tempo gritava, sem máscara, chamando a clientela.

Já um outro vendedor da feira da Rua Morais e Silva afirma que o novo coronavírus afetará e muito, principalmente, a economia informal:

— São poucas as pessoas que estão vindo à feira. Desde a semana passada, acredito que o movimento já deve ter caído 30%. A nossa preocupação é com as contas. Somos uma economia informal e dependemos isso.