Coronavírus: 'Infelizmente teremos muitos pacientes que vão precisar de respiradores, mas não terá para todo mundo', diz secretário de saúde do Rio

Hospital de campanha montado no Leblon

Apesar da previsão de abertura de um total de 3.400 leitos a mais nas redes municipal e estadual do Rio de Janeiro e de outras cidades no combate à pandemia do novo coronavírus, o secretário de Saúde, Edmar Santos, foi categórico ao afirmar que o colapso da saúde pública acontecerá entre meados de maio e início de junho. No pico da Covid-19, o número de pacientes com necessidade de internação será muito maior do que a oferta. Nesta quarta-feira, já há 317 pessoas à espera de leito de terapia intensiva.

Nos próximos 15 dias, o estado vai abrir os leitos que faltam no Hospital de Campanha do Leblon, além das unidades do Maracanã, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Mais à frente, serão abertos leitos em Campos e Petrópolis. Apesar disso, mesmo com todos à disposição, haverá desequilíbrio entre oferta e procura nas semanas seguintes.

– Infelizmente teremos momentos de muitos pacientes precisando de vagas mais do que as existentes. Esses pacientes precisarão de respiradores, mas não terá para todo mundo. Será uma realidade que a sociedade lamentavelmente terá de passar como tantas outras passaram – disse o secretário em entrevista ao RJ TV.

O secretário argumenta que não há sistema de saúde no mundo capaz de acompanhar a demanda num momento de curva descontrolada. E é neste momento que o Rio se encontra com agravamento da situação nas próximas duas semanas.

 Na terça-feira, o Rio teve 61 mortes contabilizadas – recorde no estado – e 738 óbitos no total. No último dia, novos 560 casos de Covid-19 foram confirmados, chegando a 8.504.

– Se entedermos que há entre 15% e 20% de casos não confirmados para cada um diagnosticado, temos uma base de 140 mil pessoas infectadas no estado. Isso projeta para as próximas duas semanas a necessidade de 21 mil leitos de internação de enfermaria e 7 mil leitos de internação em CTI. É matematicamente impossível se adequar a essa situação. Assim como aconteceu nos Estados Unidos, na França, na Itália – afirmou.

Diante desse quadro, haverá um protocolo de internação para as pessoas na fila única da regulação de vagas de terapia intensiva. Todos os pacientes à espera de leitos de CTI, independentemente de estar numa unidade municipal ou estadual, ficarão na mesma lista. O principal critério será cronológico. Porém, casos mais graves podem ser avaliados e outros critérios serão levados em consideração.

– O procolo que mostra as prioridades do CTI, de desempate se duas pessoas estiverem disputando a mesma vaga. Isso serve para diminuir a pressão sobre o profissional que vai tomar a decisão. Vamos deixar claro para a população qual foi o critério adotado – explicou Edmar, que acrescentou que não há previsão de mais leitos. – Mesmo que quiséssemos abrir mais leitos não teríamos número suficiente de profissionais de sáude para atender. Há um teto da capacidade dos recursos humanos em todos os estados.

Edmar Santos admitiu que a situação se agravou por causa do desrespeito ao isolamento social para quem pode ficar em casa. A quarentena ainda retardou um pouco o pico da doença, mas o achatamento não se manteve nas últimas semanas. Ele acrescenta que o governo tomou todas as medidas possíveis para amenizar a situação o máximo possível.

– Não é falta de organização e planejamento, acho que adiamos um pouco o pico. A Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo não estão piores  porque fizemos a redução de transporte entre a capital e os municípios com muita dificuldade, mas foi fundamental – declarou. – Mas não conseguimos, mesmo com todas as iniciativas, um isolamento social na intensidade que deveria ter sido feito para que a curva tivesse sido achatada dentro do possível. Por isso, temos esse escalonamento gigantesco da curva.