Coronavírus: Juíza pede que filho de Flordelis seja interrogado por videoconferência

Carolina Heringer
A Deputada Flordelis no Conselho Tutelar de Pendotiba. Arquivo: 30/09/2019

A juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce pediu à presidência do Tribunal de Justiça do Rio, na última terça-feira, autorização para realizar por videoconferência o interrogatório de um dos filhos da deputada federal Flordelis dos Santos (PSD) acusado da morte do pastor Anderson do Carmo. A audiência já estava marcada para ocorrer às 15h desta quinta-feira, mas não poderá acontecer com a presença do réu, Flávio dos Santos Rodrigues, que está preso, por causa do ato normativo do presidente do TJ da última segunda-feira. O desembargador Cláudio de Mello Tavares suspendeu as audiências por 60 dias por causa da pandemia do novo coronavírus.  O magistrado, no entanto, permitiu que nos casos de réus presos, o juiz pode optar por realizar o ato.

Até a noite dessa quarta-feira o presidente do TJ ainda não havia se manifestado sobre o pedido feito pela juíza, por isso ainda não há confirmação sobre a realização da audiência nesta quinta-feira. Flávio é acusado de ter atirado no pastor, que era seu padrasto. O crime ocorreu no dia 16 de junho do ano passado. Após o interrogatório de Flávio,  a juíza decidirá se há provas para levá-lo a júri popular pelo crime. No processo criminal, os réus só são interrogados após os depoimentos de todas as testemunhas de acusação e de defesa.

As testemunhas de Flávio foram ouvidas nos dias 31 de outubro e 1º de novembro do ano passado, à exceção de Flordelis. A deputada usou sua prerrogativa de parlamentar é só foi ouvida no início de fevereiro. A parlamentar era testemunha de defesa do filho. O interrogatório de Flávio foi marcado apenas após o depoimento de Flordelis. A defesa do rapaz chegou a entrar com um pedido de liberdade para ele alegando justamente demora em realizar o seu depoimento, mas a solicitação foi negada.

Em relação a Lucas Cézar dos Santos, outro filho de Flordelis que também é réu por participação na morte de Anderson, a Justiça decidiu, no dia 1º de novembro do ano passado, que o rapaz irá a júri popular. Flordelis não foi chamada para ser sua testemunha e o rapaz já foi ouvido. Ele é acusado de ter auxiliado Flávio a comprar a arma do crime.