Coronavírus: Mães internadas em UPAs driblam a saudade dos filhos por video chamadas

Leonardo Sodré

RIO - Foi um dia das mães difícil para todos em meio a pandemia do coronavírus. Para quem tem um familiar com a doença foi ainda pior. Mas alguns tiveram um alento neste domingo, quando equipes médicas das UPAs do Rio ligaram, e uniram mães e filhos em videos chamadas para quebrar a angústia do isolamento.

Internada desde quarta-feira na UPA de Copacabana com supeita de Covi-19, a aposentada Irene Ribeiro Enéas, de 79 anos, foi surpreendida hoje a tarde pela equipe médica da unidade com o telefone na mão, onde aparecia na tela suas duas filhas: Cilene e Silvane. Ninguém esperava pela surpresa que mudou o dia das mães da família. A filha mais nova, Cilene, foi surpreendida no caminho de Copacabana para Queimados.

— Eu só fiquei sabendo que falaria com ela hoje e quando me ligaram da UPA eu estava a caminho da casa da minha irmã. Deu tempo de chegar e todos falarmos com ela. Foi muito emocionante e confortante, não esperávamos. O contato visual com ela, que não viamos desde que foi internada, nos encheu de fé. Para ela também foi muito importante, deu para ve nos olhos dela. Ela sabe que estamos com ela, que ela não está só — comemorou Cilene.

Bacharel e Direito, Cilene diz que mora há dois anos com a mãe, em Copacabana, desde quando a matriarca sofreu um AVC. Elas nunca se desgrudaram por um dia, até aparecerem na mãe os sintomas da Covid-19.

— Foi o primeiro dia das mães na minha vida que não passei ao lado dela. Essa doença é horrível porque afasta a gente de quem a gente gosta. Ela já teve outros problemas de saúde, mas nada que nos impediu de estarmos com ela - conta Cilene, que agradeceu a equipe médita que cuida de Irene na UPA.

— Eles estão sempre muito dedicados, mas o que fizeram hoje não tem preço. Vê a minha mãe ali deu muita esperança de que ela vai sair dessa e voltar a estar com a gente.

Lembranças para marcar a data

Além dos encontros virtuais, realizados com pacientes internados nas enfermarias, as equipes das UPAs distribuíram cupcakes diet, lembrancinhas e bilhetes carinhosos dos filhos para as mães internadas. Sem poder receber os beijos e abraços dos filhos hoje, essa foi alternativa que as equipes das unidades encontraram para driblar a saudade.

A Secretaria Estadual de Saúde, que administra as UPAs, reconhece que as maneiras de demonstração de afeto podem ser alteradas pela suspensão das visitas nas unidades de saúde, mas diz que apostou nas videos chamadas para evitar o isolamento emocional nesse momento em que estar longe fisicamente é fundamental para prevenção de todos.