Coronavírus MERS pode ser transmitido por camelos, revela estudo

Por Kerry SHERIDAN
Um tratamento experimental que ajuda a reprogramar o sistema imunológico do paciente para atacar tumores pode funcionar em um amplo espectro de cânceres comuns, revelou um estudo preliminar publicado nesta sexta-feira nos Estados Unidos

O coronavírus MERS, responsável por problemas respiratórios agudos e causador de dezenas de mortes no Oriente Médio, poderia ser transmitido por camelos, revelou um estudo publicado nesta terça-feira nos Estados Unidos.

Segundo o último informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus da Síndrome Respiratória por Coronavírus do oriente Médio (Middle East Respiratory Syndrome, MERS) tinha afetado de setembro de 2012 a 7 de fevereiro 182 pessoas em todo o mundo, das quais 79 morreram.

O Ministério da Saúde da Arábia Saudita anunciou no domingo a morte de uma mulher de 81 anos vítima de MERS, elevando o número de mortes pela doença no país a 61.

Até agora, sabia-se muito pouco sobre a origem deste vírus, que provoca problemas respiratórios agudos, com febre, tosse e falta de ar e costuma ser acompanhado de pneumonia, problemas gastrointestinais e insuficiência renal.

Segundo a pesquisa de um professor da Universidade de Columbia, em Nova York, este vírus "é extraordinariamente comum" em camelos há pelo menos 20 anos.

"Em algumas partes da Arábia Saudita, este vírus está presente nas vias respiratórias de dois terços destes animais", disse à AFP Ian Lipkin. Segundo ele, "é provável que os camelos sejam a principal fonte de infecção humana".

Lipkin trabalhou com o professor Abdelaziz Alagaili, da Universidade King Saud, em Riad, para este estudo, publicado nesta terça-feira em versão online da revista mBio.

Os cientistas coletaram amostras de sangue e da área retal destes animais, assim como das fossas nasais de mais de 200 camelos, entre novembro e dezembro de 2013.

Foram identificados anticorpos específicos de MERS em 74% destes animais, assim como o próprio vírus, particularmente na secreção nasal dos camelos. Os animais portadores do vírus pareciam saudáveis.

Ao analisar amostras de sangue dos camelos, coletadas entre 1992 e 2010, a equipe descobriu rastros do vírus que remontam a mais de 20 anos.

"O vírus detectado nos animais é similar ao que encontramos nos seres humanos", dijo Lipkin. Si se confirma este vínculo, seria um caso extremadamente raro de contaminação direta de humanos pelos animais.

A febre do Vale do Rift (RVF, na sigla em inglês), semelhante à gripe, é outro exemplo deste tipo de contaminação.

A maioria das infecções por MERS se concentrou no Oriente Médio, particularmente na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar.

Casos mais isolados foram registrados em Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Jordânia e Tunísia, principalmente em pessoas que tinham viajado ao Oriente Médio.

Os pesquisadores acreditam que um contato próximo com os camelos explica a transmissão, provavelmente por vias aéreas. "As pessoas os têm como animais de estimação", disse Lipkin. "E também comem camelo, assim há muitas oportunidades para que o vírus se transmita".

Uma vacina para os animais está em estudo, assim como um tratamento para pessoas doentes.