Coronavírus: milhares de cestas básicas são doadas a moradores de favelas; saiba como ajudar

Rafael Nascimento de Souza
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Em Caxias, empresa Cesta de Alimentos Brasil viu pedidos aumentarem 50% para serem distribuídos a pessoas carentes

Diante do drama de famílias moradoras de comunidades que, enclausuradas para se proteger do coronavírus, perderam sua fonte de renda, uma onda de solidariedade vem contagiando a população. São iniciativas como a de três institutos sociais que se uniram para distribuir mais de 72 toneladas de alimentos e material de higiene em oito comunidades do Rio esta semana. Uma das contempladas com uma cesta básica foi a moradora da Nova Holanda, no Complexo da Maré, Nívia Maria Isaías, de 39 anos.

— Ou compro comida, quando tenho alguns trocados, ou compro álcool em gel. Priorizo o arroz e o feijão — explica ela.

Ela fazia bicos em festas infantis, que agora estão canceladas por causa da quarentena.

A iniciativa de ajudar foi idealizada pela publicitária Luiza Serpa, umas das fundadoras do Instituto Phi. Com o Banco da Providência e o Instituto Ekloos, criou o projeto “Rio contra Corona”.

— Nos unimos para atender, nesse momento, as pessoas que mais necessitam. Aquelas que são autônomas e perderam seus empregos por conta da epidemia, as que são pobres e precisam de atenção e aquelas que estão desempregadas há muito tempo. Além disso, nosso objetivo é prevenir que a doença se alastra nas comunidades e alimentar essas pessoas — conta Luiza. — É muito bom dar álcool gel e máscaras. Mas é essencial dar alimentação para quem não tem nada.

Com mais de cem investidores sociais, o Instituto Phi recebe as doações em dinheiro, o Banco da Providência compra e leva os produtos até as comunidades. Por fim, o Instituto Ekloos articula a distribuição através das lideranças das favelas.

Entre quarta e ontem, mais de duas mil cestas básicas haviam sido entregues na Maré, Cidade de Deus e Rocinha. Amanhã, 600 famílias receberão as doações. A seleção de beneficiários foi feita a partir de cadastros de famílias vulneráveis que já são atendidas pela prefeitura.

Na Baixada, uma empresa que produz cestas básicas viu seus pedidos aumentarem em 50% desde quarta-feira. Muitas pessoas estão ligando para encomendar kits de alimentos e de higiene pessoal com o objetivo de doar a quem precisa. Para a próxima semana, uma única empresa comprou 60 mil cestas básicas para distribuir.

— Por dia, vendíamos 3 mil cestas. Hoje, estamos vendendo 8 mil. Boa parte dos kits é comprada por pessoas que estão se solidarizando com as outras — diz Marcos Moreira, responsável pelas vendas da empresa Cestas de Alimentos Brasil.