Coronavírus: Ministério da Saúde dá parecer favorável ao retorno do futebol, mas destaca saturação de testes rápidos

O Ministério da Saúdedeu parecer favorável à volta do futebol no país, mas fez ressalvas importantes sobre o contexto em que ele seria retomado. Na minuta obtida pela TV Globo, datada da última quinta-feira, o órgão ressalta que "o futebol é uma atividade esportiva relevante no contexto brasileiro" e que "sua retomada pode contribuir para as medidas de redução do deslocamento social através da teletransmissão dos jogos para domicílio" em meio à pandemia do novo coronavírus.

Apesar disso, o Ministério apontou obstáculos no Guia para Retomada Progressiva, elaborado por médicos de clubes e da CBF a fim de estabelecer protocolos para o retorno. O principal deles é a escassez de testes rápidos diante da escalada da doença em todo o país, uma vez que a CBF deverá garantir "a realização dos testes e avaliações constantes não apenas nos atletas, mas também que seja ofertado aos membros das comissões técnicas, funcionários e colaboradores, assim como respectivos familiares e contactantes próximos".

O documento continua: "Cabe ressaltar que, no momento, a disponibilização de testes rápidos no sistema de saúde encontra-se saturada diante das necessidades da população brasileira... Diante da afirmação acima, na proposta apresentada, não fica evidenciado onde serão realizados os testes, periodicidade e critérios de retestagem, e como serão assistidos caso o diagnóstico dos atletas seja positivo".

O Ministério da Saúde atenta ainda que o futebol sem público deve considerar "as diferenças epidemiológicas loco-regionais" e que decisões sobre a retomada dos treinamentos precisam ser ratificadas pelo Secretário Municipal, "pois o Ministério da Saúde não irá contrapor uma decisão de gestor local que é quem está vivenciando o problema".

A iminência da divulgação deste parecer já havia sido apontada pelo presidente Jair Bolsonaro em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, na última quinta-feira:

— No momento, existe muita gente do meio do futebol que é favorável à volta, porque os empregos estão batendo à porta dos clubes também. Com essa idade (dos jogadores), caso seja acometido, a chance de partir para a letalidade é infinitamente mínima, considerando a condição. Eles têm que sobreviver. Muitas vezes tem o pensamento que todo mundo ganha horrores. A maior parte não ganha bem e precisa do futebol para sustentar sua família, ou passam necessidade. No que depender de nós, conversei com o ministro da Saúde, para que o futebol volte sem torcida. Esse parecer deve ser acertado, e a Anvisa também deve dar um parecer nesse sentido.