Coronavírus: Ministério da Saúde desiste de chamar profissionais de saúde aposentados

André de Souza e Renata Mariz
Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta

O Ministério da Saúde desistiu de chamar profissionais da saúde aposentados para trabalhar voluntariamente no enfrentamento ao novo coronavírus. Isso porque eles fazem parte do grupo mais vulnerável. É justamente entre os idosos que há a maior taxa de letalidade. A pasta vai dar prioridade a profissionais mais jovens, que conseguem se recuperar mais rápido se infectados pelo vírus, que provoca sintomas parecidos aos da gripe.

Na segunda-feira, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que a pasta poderia chamar médicos e outros profissionais da saúde aposentados para ajudar no trabalho de enfrentamento ao novo coronavírus. As secretarias de Saúde dos municípios decidiriam onde alocá-los.

Nesta terça-feira, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, disse não ter pensado ainda nessa hipótese. Assim, nem os profissionais civis aposentados, nem os médicos militares da reserva serão chamados.

— Quantos aos profissionais militares e outras categorias, nós ainda não pensamos nessa possibilidade, até porque muitos dos profissionais aposentados, e isso inclui os médicos e militares, entram na faixa etária de maior risco para a doença — disse Mayra.

Ela e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltaram a citar o uso da força de trabalho dos estudantes de medicina e outras áreas da saúde que estão no último ano do curso, conforme Gabbardo já havia anunciado na segunda. Eles também vão atuar de forma voluntária, sob orientação de médicos formados, em atividades acessórias.

Mandetta acrescentou ainda que médicos residentes de áreas que não são de atendimento direto à população vão ser capacitados para reforçar as equipes que vão atuar na linha de frente. Tantos os estudantes como o residentes possuem uma vantagem em relação aos aposentados: são mais jovens e menos vulneráveis ao novo coronavírus.

— Nós iniciaremos a capacitação de todos eles (residentes) para aumentar nossa força de trabalho dentro dessas unidades hospitalares, com médicos mais jovens, já que eles, quando eventualmente têm a virose, conseguem se recuperar rápido e retornam já com a imunidade estabelecida. Então são profissionais muito importantes para este momento — disse Mandetta.

O ministro disse que estudantes de medicina do primeiro ao quinto ano — o curso dura seis anos — também poderão ser voluntários em outras atividades no apoio aos profissionais de saúde.
Mandetta também afirmou que o apoio dos farmacêuticos será buscado, uma vez que toda drogaria no país tem um profissional da área por lei. Os locais receberiam a vacina da gripe, cuja campanha começará mais cedo este ano, do governo e aplicariam gratuitamente nos idosos. A vacina contra a gripe não protege contra o coronavírus, mas pode ajudar desafogar o sistema de saúde caso as pessoas fiquem imunizadas contra a doença.

— Também conversaremos com o Conselho Federal de Farmácia para fazer pontos de apoio, não só para aplicação de vacina da gripe, como também para orientações desses pacientes assintomáticos, e para coleta e testagem assim que tivermos escala para que possamos descentralizar — disse Mandetta.