Coronavírus: Ministério da Saúde recomenda distância de dois metros nas filas de farmácia

André de Souza e Renata Mariz

BRASÍLIA — O Ministério da Saúde e os conselhos que reúnem as secretarias de saúde estaduais e municipais elaboraram uma nota com várias recomendações para o atendimento nas farmácias em razão da epidemia do novo coronavírus, que pode provocar febre e sintomas respiratórios.

Entre outras coisas, o texto orienta a manter uma distância de no mínimo dois metros na fila, caso os clientes não tenham máscara, ou de um metro, se estiverem usando, para diminuir o risco de contágio.

Pessoas com suspeita de ter a doença devem ser atendidas em local isolado por um profissional usando equipamento de proteção individual, como máscara.

Após cada atendimento, o funcionário da farmácia deve higienizar suas mãos.

Objetos e superfícies também devem ser desinfetados. Outra recomendação é usar o lado de fora da farmácia, quando o tempo permitir, como área de espera.

Os estabelecimentos também devem adotar estratégias para diminuir o tempo de espera na fila.

Para evitar contato entre as mãos, as drogarias são orientadas a disponibilizar um recipiente para colocar as receitas médicas e retirar os remédios. No atendimento, devem ser priorizados os idosos, as pessoas com sintomas respiratórios, os transplantados, as gestantes, e quem tem doenças autoimunes.

O documento também pede para "avaliar junto aos gestores locais a possibilidade de ampliação do prazo de validade das prescrições de medicamentos de uso contínuo". O objetivo é, com as receitas durando mais, que haja menos gente indo à farmácia e se expondo menos ao risco de contágio.

Na quinta-feira, o Ministério da Saúde tinha anunciado que o programa Farmácia Popular, que usa inclusive a rede privada de drogarias para entregar medicamentos de uso contínuo à população gratuitamente ou a baixo custo, dispensará remédios para 90 dias.

Hoje, o prazo é de 30 dias com a prescrição médica. Essa recomendação está presente na nota.

O texto também repete algumas recomendações dadas anteriormente pelo Ministério da Saúde em relação ao uso de alguns medicamentos, como dar preferência a analgésicos como o paracetamol e a dipirona no lugar do ibuprofeno.

O documento não faz referência à hidroxicloroquina e à cloroquina, usadas no tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde disse que são remédios promissores no caso de infecção pelo novo coronavírus. Por outro lado, comunicou que é preciso que estudos sejam feitos ainda, e recomendou não comprar o remédio nas farmácias. Em razão do novo coronavírus, os medicamentos já estão em falta nas drogarias.

Na recomendação às farmácias, o documento usa uma linguagem mais genérica: "Ressalta-se que até o momento não existem estudos na literatura que comprovem a eficácia de antivirais ou antirretrovirais no tratamento de Covid-19. Dessa forma, o uso desses medicamentos não deve ser estimulado até que existam evidências científicas que demonstrem resultados significativos no controle de Covid-19."

O documento é assinado pelo secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Denizar Vianna Araújo, pelo presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Willames Freire Bezerra, e pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame.