Coronavírus: moradores do Rio são barrados em Niterói ao tentar voltar para casa após de decreto de Witzel

Luana Santiago
Policiais militares fazem triagem nas barcas em Niterói

RIO — A aposentada Marilda Santana, de 65 anos, sequer imaginava que encontraria uma barreira de policiais na estação das barcas Araribóia, no Centro de Niterói, na hora da volta para casa em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, na manhã deste sábado. Na última sexta-feira, ela saiu de casa para uma festividade em uma igreja em Itaboraí e, mesmo alegando residir no município do Rio, foi impedida de embarcar no sentido da capital Fluminense.

— Vim ontem para uma comemoração e agora, estão dizendo que não posso passar. Quando aleguei que moro no Rio, disseram que eu não devia nem ter saído de casa — conta a senhora, uma das pessoas barradas, que não sabia do decreto do governador Wilson Witzel.

A partir deste sábado a Polícia Militar está atuando junto a funcionários de trens, barcas e metrô em uma triagem para o acesso aos transportes ser limitado a pessoas que atuam em serviços considerados essenciais. Nas barcas, somente pessoas que possam comprovar trabalho em funções essenciais podem fazer a travessia, que acontece com intervalo de uma hora.

Em seu decreto, Witzel proibiu o trânsito de ônibus intermunicipais e carros de aplicativos entre a capital do estado e as outras cidades da região metropolitana. A intenção é criar um "cordão de isolamento sanitário na capital" para tentar conter a proliferação do coronavírus.

Sem opção de ônibus e barca para o Rio, Marilda se juntou a outros passegeiros frustrados e começou a luta de conseguir um motorista de aplicativo ou táxi que os levasse para a capital. As corridas, no entanto, apareciam como bloqueadas no celular.

— Estou tentando Uber e 99 Táxi, mas quando aperto para chamar corrida ele volta para o menu — explica Cleinir Basilio, de 56 anos.

Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a cuidadora de idosos, que trabalha em Niterói durante a semana, está tentando voltar para casa desde às 7h30 da manhã deste sábado. Ela cuida de segunda a sexta de uma idosa de 97 anos em Icaraí.

— Os policiais estão pedindo comprovante de trabalho para liberar a passagem, mas eu não tenho contrato formal. Meu único comprovante de emprego são os depósitos das diárias que meu patrão fez para mim — conta ela, que também tentou passar com um documento em punho feito pelo empregador.