Coronavírus no Flamengo é argumento para sindicato: 'Não dá para arriscar'

Igor Siqueira
Jorge Jesus, técnico do Flamengo

Os resultados positivos para coronavírus no elenco do Flamengo são encarados como argumento forte para o debate a respeito do retorno do futebol, na visão do presidente do Sindicato dos Atletas do Rio (Saferj), Alfredo Sampaio.

— O Flamengo, por ter uma condição melhor, fez os testes. E os que não têm? Esse resultado é ruim, mas ajuda na discussão. Contribui para refletirmos melhor sobre a volta. Será que o Bangu conseguirá fazer? O Madureira? — questiona.

Sampaio recebeu de Diego, no grupo de Whatsapp que reúne os capitães, o último contato de jogadores do Flamengo a respeito dos procedimentos para retorno aos treinos. Havia expectativa para os resultados dos exames.

Diego Souza, do Grêmio, testou positivo e está em isolamento no Rio. O cenário, ao mesmo tempo, reforça a posição do Sindicato:

— A princípio, todo mundo é assintomático. Mas pode ter o vírus. Não pode reunir em campo correndo o risco. Imagina se o Flamengo não faz os testes? Sabemos que os clubes precisam da questão econômica, mas não dá para arriscar.

Para o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, ao menos começam a surgir exemplos práticos:

— Essa experiência do Flamengo é interessante. Até então, que informações tínhamos? Os jogadores estavam em casa.

O infectologista e epidemiologista Celso Ramos Filho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio (UFRJ), entende que os resultados fazem parte do contexto macro do país.

—A gente tem a média de internação por síndromes respiratórias graves. Virou de cabeça para baixo. Os CTIs estão cheios. Qualquer conversa sobre liberar atividades é surreal. Alguém vai jogar futebol em Manaus? Fortaleza? No Rio? Nossa resposta agora é isolamento para tentar evitar que as pessoas morram em casa.