Coronavírus: Novo secretário estadual de saúde do Rio pretende transformar hospital do Maracanã em grande enfermaria

O novo secretário estadual de Saúde do Rio, Fernando Ferry, assume oficialmente a pasta apenas na terça-feira. Mas o diretor-geral do Hospital Gafrée e Guinle, na Tijuca, que será exonerado nesta segunda-feira, já decidiu qual será sua primeira intervenção no órgão: transformar o Hospital de Campanha do Maracanã em uma grande enfermaria no combate ao novo coronavírus. A unidade tem 200 vagas.

Segundo o "Bom Dia, Rio" da TV Globo, Ferry pretende com a medida desafogar as emergências e as UPAs, e assim, evitar mais casos que evoluam para a necessidade de UTIs com respiradores.  O novo secretário reconhece que a falta dos ventiladores mecânicos não será suprida imediatamente por causa das investigações de suspeitas de fraudes nas compras dos equipamentos.

Operação Favorito: integrante de esquema faz supostas citações a Witzel sobre contrato com OS da Saúde

A secretaria chegou a comprar mil respiradores, mas poucos foram entregues e não serviam para o tratamento da Covid-19. Após a operação "Mercadores do Caos", empresários e funcionários  ex-funcionários do alto escalão da pasta da saúde foram presos e os contratos, cancelados.

Ainda nesta segunda-feira, Fernando Ferry se reunirá com o ex-secretário Edmar Santos para fazer transição. Santos continuará comandando o grupo de especialistas do estado, mas sem poder de decisão. Ferry também se encontrará com representantes do Iabas, responsáveis pelos hospitais de campanha do estado e investigada pela Lava-Jato no Rio. Há a possibilidade de intervenção na OS, após os casos dos respiradores, das denúncias de falhas no descarte de material contagioso e das condições inadequadas de descanso dos enfermeiros.

Segundo informações publicadas pela Coluna da Berenice Seara, Ferry não vai atuar como ordenador de despesas, mesmo sendo titular da pasta. A estratégia faz parte das ações do governador Wilson Witzel para tentar se dissociar do escândalo de fraude na compra de respiradores.

Ferry assume a pasta meio a suspeitas de fraudes em contratos e má gestão. Porém, o ex-professor da Unirio e especialista no atendimento a pacientes com HIV também tem casos controversos no seu histórico como diretor do Grafée Guinle. Em 2018, funcionários denunciaram o diretor do hospital univeristário por não respeitar a fila do sistema de regulação e dar preferência ao atendimento de pacientes indicados por pastores ligados ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O hospital tinha contrato com a prefeitura.

O caso ficou conhecido como SisFerry, referência à sigla do sistema de regulação de pacientes, Sisreg. O Ministério Público Federal investigou as denúncias e todas as partes negaram as acusações.

Ano passado, Fernando Ferry ganhou notoriedade pela atuação no incêndio do Hospital Badim, na Tijuca. Ele dirigiu uma ambulância para ajudar no resgate de vítimas.

Com 25 anos de carreira na área da saúde, Ferry foi o coordenador do primeiro mestrado de HIV/AIDS do Brasil, devidamente reconhecido pela Capes, participando de 110 dissertações em 6 anos na Unirio.

Antes de se formar em medicina pela Unirio, em 2000, trabalhou como veterinário, com mestrado e doutorado em Parasitologia Veterinária.

No ano passado,  Ferry recebeu a  Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Em seu discurso, ele valorizou a saúde pública.

— Estudei minha vida toda no ensino público, desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Fui, e sou, usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), 100% gratuito, por isso sempre tive na minha caminhada o objetivo de, por obrigação, oerecer ao poder público, tudo o que poder público fez por mim. O meu trabalho, entretanto, não teria sucesso sem o papel de cada um dos funcionários. Na verdade, eu não faço nada. O que faço é ouvir as pessoas, estimulá-las e deixá-las trabalhar e exercer o seu papel de funcionário público que serve à população. Eu tenho um respeito profundo por cada um de nossos colaboradores e gostaria de estender essa homenagem a cada um deles —  disse Fernando Ferry na cerimônia, no último mês de novembro.

Durante sua gestão no Gafrée e Guinle, foi restaurada a antiga maternidade do hospital, que atualmente é voltada para gestante de alto risco. Também foi renovado o centro cirúrgico.