Coronavírus: os países da América Latina aos quais a doença chegou e o que estão fazendo para contê-la

Redação - BBC News Mundo
O novo coronavírus chegou à América Latina no final de fevereiro

O texto foi atualizado às 17h34 de 8 de março de 2020.

A presença do novo coronavírus já foi confirmada em nove países da América Latina: Brasil, Equador, México, República Dominicana, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e Peru. Já houve uma morte, de um homem de 64 anos, na Argentina.

Desde que foi detectado pela primeira vez em dezembro em Wuhan, na China, o vírus se espalhou para todos os continentes, exceto a Antártida.

Chamada de covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença causada pelo vírus é uma infecção respiratória que começa com febre e tosse seca e pode levar a pneumonia grave.

Aqui, informamos qual é a situação em cada um dos países que relataram casos em nossa região.

Brasil

  • 25 casos confirmados
  • 663 casos suspeitos
Brasil resgatou cidadãos que estavam em Wuhan, na China, e os colocou em quarentena

No Brasil, até o momento, há 19 casos de infecção confirmados, segundo o Ministério da Saúde. Eles estão distribuídos nos seguintes Estados: São Paulo (13), Rio de Janeiro (2), Bahia (2), Espírito Santo (1) e Distrito Federal (1).

Os pacientes, que não tiveram suas identidades divulgadas, permanecem por, ao menos, 14 dias em quarentena em suas casas — a medida é orientada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em Brasília, uma paciente (de identidade não divulgada) está em estado grave na unidade de terapia intensiva do hospital regional da Asa Norte, e respira com ajuda de aparelhos. "Ela apresenta síndrome respiratória aguda severa e tem comorbidades, que agravam o quadro clínico", afirma boletim médico divulgado pela secretaria da saúde do DF.

Na quinta-feira (5), a pasta confirmou que há transmissão local registrada a partir do primeiro caso confirmado no Brasil. Duas pessoas ligadas ao homem de 61 anos — a principal suspeita é de que sejam parentes dele — foram diagnosticadas com a covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Os casos considerados suspeitos são aqueles que envolvem pacientes que estiveram em regiões com risco de transmissão de coronavírus e que tenham apresentado sintomas como febre e algum problema respiratório, como tosse, ao retornar ao Brasil.

México

  • 5 casos confirmados
  • 21 casos suspeitos

Até segunda-feira, cinco casos de coronavírus haviam sido relatados no território mexicano, segundo a Subsecretaria de Prevenção e Promoção da Saúde do México.

Em muitas farmácias no México, as máscaras foram vendidas antes mesmo da notícia da chegada do covid-19

Três das pessoas infectadas estiveram durante a terceira semana de fevereiro em uma convenção realizada em Bergamo, na Itália, onde até domingo mais de 1.100 casos de coronavírus já haviam sido confirmados.

Hugo López-Gatell, subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde, disse que os pacientes mexicanos apresentavam sintomas leves e estavam em isolamento voluntário.

As autoridades mexicanas afirmam que trabalham desde o início de 2020 nos protocolos de resposta à covid-19.

Eles também anunciaram medidas de conscientização e prevenção.

Equador

  • 10 casos confirmados

Até 5 de março, o Ministério da Saúde Pública havia confirmado dez casos do novo coronavírus no país.

O Equador registrou seu primeiro caso de covid-19 no sábado, 29 de fevereiro: uma mulher de 70 anos que pegou o patógeno na Espanha.

O governo do Equador aumentou o controle nos aeroportos, portos e passagens de fronteira

O dr. Alfredo Bruno, especialista técnico do Centro Nacional de Referência de Gripe, disse que, desses casos, um paciente está em estado crítico.

O Ministério da Saúde Pública informou no dia 3 de março que mantém 100 pessoas sob vigilância, incluindo alguns passageiros do avião onde o primeiro paciente viajou, a equipe médica e suas famílias.

O governo do Equador disse que um plano nacional foi ativado para proteger a população contra a doença.

Além disso, as autoridades suspenderam a realização de atos de massa nas cidades costeiras de Babahoyo e Guayaquil, ambas no sudoeste do país, onde foi detectado o primeiro afetado.

O executivo clamou pela "corresponsabilidade cidadã" e pelo "fortalecimento medidas de precaução".

República Dominicana

  • 1 caso confirmado

O governo da República Dominicana confirmou no domingo que detectou o primeiro caso de covid-19 no país.

Trata-se de um turista italiano de 62 anos que foi isolado em um hospital militar perto da capital, segundo a Reuters.

A República Dominicana está tomando medidas para impedir a propagação do vírus no país

Como prevenção, na sexta-feira, 28 de fevereiro, a República Dominicana suspendeu os voos de Milão por 30 dias devido ao aumento dos casos da doença na Itália.

A medida afetou cerca de 4.000 passageiros que tinham reservas para voar com uma companhia aérea de baixo custo de Milão para La Romana, uma área turística costeira dominicana.

O governo dominicano também anunciou na sexta-feira que vai submeter todos os viajantes vindos da Itália, independentemente da nacionalidade, a análises epidemiológicas nos aeroportos do país.

Segundo o jornal El Nuevo Diario, as autoridades de saúde e as Forças Armadas estão preparando um hospital com capacidade para 40 leitos na base naval de Santo Domingo para transferir possíveis pacientes da covid-19.

Chile

  • 3 casos confirmado

O ministério da Saúde do Chile confirmou no dia 3 de março o primeiro caso de coronavírus no país.

Trata-se de uma pessoa de 33 anos, que viajou por um mês para diferentes países do sudeste asiático, entre eles, Cingapura, país que tem 110 casos confirmados mas nenhuma morte, até o momento.

A pessoa está hospitalizada, mas, segundo o ministério, está em boas condições gerais de saúde e receberá alta, mas ficará sob vigilância epidemiológica em casa.

Posteriormente, mais dois casos foram confirmados.

A comunidade médica busca uma vacina para o coronavírus

Argentina

  • 8 casos confirmado

O novo coronavírus também chegou à Argentina. O primeiro caso foi confirmado pelo ministério da Saúde nesta terça-feira. No sábado, 7 de março, um homem de 64 anos que havia viajado à França e já tinha um histórico de outras doenças, morreu da covid-19.

O homem começou a apresentar sintomas em 28 de fevereiro, três dias após retornar da Europa, quando começou a ter febre, tosse e dor de garganta.

Antes de se infectar com o coronavírus, o homem já sofria de vários problemas de saúde crônicos, como diabetes, hipertensão, bronquite crônica e insuficiência renal, segundo o jornal La Nación.

Em comunicado divulgado no sábado, o Ministério da Saúde da Argentina informou que estava realizando pesquisas epidemiológicas para detectar pessoas com quem o paciente teve contato próximo.

Segundo a agência de notícias oficial da Argentina, Télam, até sexta-feira, 6 de março, oito casos de coronavírus haviam sido confirmados naquele país.

Todos foram casos de pessoas que viajaram recentemente para o exterior - especialmente para a Itália - e estão em processo de recuperação sob as medidas de isolamento relevantes.

Colômbia

A prefeita de Bogotá, Claudia López, disse no Twitter que a jovem era uma estudante que estava em Milão e que após seu retorno à capital foi a um hospital após apresentar sintomas.

Um exame confirmou que era um caso positivo.

Lopez pediu à população que se mantenha calma e evite o pânico.

"Seguiremos o protocolo e o tratamento acordado. Tranquilidade, pânico zero", afirmou.

Após o anúncio, o governo colombiano anunciou que a fase de preparação para a chegada do vírus estava terminando e a "fase de contenção" foi ativada.

"(...) Todos os territórios devem, a partir deste momento, ativar seu plano de contingência para enfrentar esse desafio global de saúde", afirmou o comunicado.

O INS indicou que as autoridades de saúde do país já haviam estabelecido um plano de resposta à possível entrada do coronavírus na Colômbia e que, durante oito semanas, estava se preparando para isso.

Costa Rica

Conforme relatado pelo Ministério da Saúde, o caso positivo foi confirmado após o teste de três pessoas com suspeita de infecção.

Trata-se de uma mulher americana, segundo as autoridades da Costa Rica, que está isolada, junto com o marido, em um alojamento em San José.

A mulher havia chegado ao país sem sintomas no último domingo e visitado outras duas cidades. Por isso, as autoridades anunciaram que estão sendo realizadas investigações nessas áreas para acompanhar as pessoas com quem ela teve contato.

A pasta também indicou que tentará localizar as 152 pessoas que estavam no voo que a levaram a San José.

"A mulher e o marido permanecerão isolados sob controle estrito no hotel até que o período de risco passe e os testes da covid-19 mostrem resultados negativos", afirmou o Ministério.

O presidente, Carlos Alvarado, exortou a população a manter a calma e tomar medidas simples, como lavar as mãos e evitar apertos de mão para evitar o contágio.

Ele também indicou que os serviços de saúde do país estavam preparados para lidar com possíveis novos casos.

Em seu comunicado, o Ministério da Saúde solicitou que apenas pessoas que viajaram para países onde há infecções ativas fossem para hospitais para evitar serviços de saturação.

As autoridades costa-riquenhas anunciaram que, no momento, não está contemplado o cancelamento de grandes eventos ou a suspensão de aulas, pois a confirmação do caso não significa que exista transmissão ativa do vírus no país.

"O trabalho do Ministério da Saúde e das instituições envolvidas continua na mesma linha do que foi feito até agora, assim como são emitidas as mesmas recomendações vitais para a população."

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, acompanhado pela ministra da Saúde, Elizabeth Hinostroza, disse que seu governo organizou "todas as medidas necessárias" para lidar com a situação

Peru

A companhia aérea Latam Airlines disse em comunicado que o primeiro caso de coronavírus no Peru foi um trabalhador da empresa que retornou de uma viagem de férias pela Europa.

O jovem retornou ao Peru em 26 de fevereiro e na quarta-feira passada foi aos serviços médicos após sentir "sintomas respiratórios graves", informou a imprensa local.

O Ministério da Saúde do Peru informou que o homem está isolado em sua casa, pois apresenta um quadro "estável".

O presidente, Martín Vizcarra, acompanhado pela ministra da Saúde, Elizabeth Hinostroza, disse que seu governo organizou "todas as medidas necessárias" para lidar com a situação.

"O Ministério da Saúde lidera uma estratégia em Lima e em todo o país que se articula com o setor de saúde, as Forças Armadas e instituições e clínicas privadas", afirmou.

O presidente acrescentou que um plano de preparação e resposta à doença foi estabelecido e que protocolos nos aeroportos e terminais marítimos foram ativados.

"Todas essas medidas contam com o apoio do Conselho Nacional de Saúde. É uma situação que devemos tratar com muita serenidade, (...) vemos calma, confiamos em nosso sistema de saúde", afirmou.

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