Coronavírus para obras do BRT Transbrasil e de escolas da prefeitura; medida visa evitar propagação da doença

Obras paradas em Viaduto, na altura de Irajá, que leva a terminal

A prefeitura do Rio suspendeu mais uma vez, nesta terça-feira, por tempo indeterminado, as obras de conclusão do BRT Transbrasil. A portaria retroativa a sexta-feira foi publicada no Diário Oficial do Município. Dessa vez, o motivo não foi a falta de recursos, como em ocasiões anteriores, mas a pandemia do coronavírus. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação, Sebastião Bruno. Além do BRT Transbrasil, intervenções feitas em locais fechados - exceto em hospitais - também foram suspensas de maneira preventiva para evitar o risco da propagação da Covid-19.

- Teoricamente, não haveria necessidade de paralisar o Transbrasil, pois as obras ocorrem em via pública, arejada. E a gente resolveu suspender apenas as intervenções em locais fechados. Mas houve pressão do Sindicato dos Operários da Construção Civil. Para evitar conflitos e problemas jurídicos, suspendemos o contrato - explicou Sebastião Bruno.

A versão foi confirmada pelo GLOBO por empreiteiras ligadas ao projeto. A reportagem não conseguiu falar com o sindicato. O secretário acrescentou que a estratégia da prefeitura foi apenas interromper obras em locais fechados. A lista incluiu 52 intervenções em escolas do município, exceto unidades que estavam em fase final, como a conclusão da pintura de fachadas.

- Não estamos parando obras internas prioritárias como na reforma de hospitais. Isso inclui as adaptações para transformar o Hospital de Acari em referência para atender a pacientes do coronavírus além da nova maternidade do Paulino Werneck (Ilha do Governador) e no CTI do Souza Aguiar - disse Sebastião Bruno.

O secretário acrescentou que alguns editais terão lançamentos atrasados por causa da epidemia, mas sairão nas próximas semanas assim que a situação se normalizar. Um deles é o que prevê a reconstrução da ciclovia da Avenida Niemeyer.

Iniciada em 2013, o BRT Transbrasil devera ter ficado pronto no fim de 2016. Mas tem sofrido uma série de adiamentos. Antes da nova paralisação, a previsão era ficar pronto em junho deste ano, mas ainda sem ônibus articulados, que sequer foram comprados pelas empresas. Também falta concluir a construção de terminais de integração. Um dos mais importantes fica em Deodoro em um terreno que pertence ao governo do Estado que a prefeitura ainda aguarda a liberação. Essa estação servirá de integração com linhas que vêm da Baixada.

Nesta terça-feira, o prefeito Marcelo Crivella ainda não sabia da paralisação

- Nós já empenhamos (autorizamos gastar) os R$ 57 milhões que faltavam da contrapartida da prefeitura e com isso reequilibramos financeiramente o contrato. Mas faço um apelo ao governo do Estado para que essa questão do terreno de Deodoro seja solucionada - disse o prefeito, após apresentar as equipes do Exército e da Cruz Vermelha que ajudarão na campanha de vacinação dos idosos que está sendo montada no Riocentro e deve começar a funcionar até a quinta-feira.