Coronavírus: Polícia Militar do Rio só tem estoque de máscaras e luvas para 15 dias

Rafael Soares
O Hospital Central da PM, no Estácio

RIO - Um documento interno da PM do Rio revela que a corporação não tem insumos suficientes para atender policiais militares com suspeitas de Covid-19, causado pelo novo coronavírus. Os policiais militares estão na linha de frente no combate ao coronavírus no Rio, fazendo bloqueios para impedir a circulação de pessoas e atendendo a população.

De acordo com o cálculo feito pelo órgão, o material que a PM tem atualmente deve acabar em, no máximo, 15 dias. Hoje, por exemplo, a corporação tem 17.250 máscaras descartáveis. A quantidade de uso médio mensal das máscaras chega a 7 mil. Entretanto, o HCPM espeva que o gasto dos itens aumente vertiginosamente nas próximas semanas. A previsão é que, em duas semanas, não haja mais máscaras na unidade.

Não é só nas unidades de saúde da PM que faltam insumos. Os policiais que vão para as ruas não têm luvas e máscaras suficientes. Na última sexta-feira, o comandante do 8º BPM (Campos dos Goytacazes), tenente-coronel Luiz Henrique Monteiro Barbosa, pediu à Diretoria de Abastecimento da corporação luvas, máscaras e álcool em gel para os PMs da unidade — que é responsável pelo patrulhamento de boa parte do Norte Fluminense. O oficial recebeu como resposta que a PM "não dispõe dos materiais em comento".

Somente desde a última quinta-feira, 28 PMs entraram com pedidos de licença médica à corporação por conta do coronavírus. Na maior parte dos casos, são pacientes com suspeita de terem sido infectados, sem comprovação ainda. Há também casos de PMs grávidas e agentes que fazem parte de grupos de risco, como diabéticos. Há policiais de UPPs, batalhões da capital, da Baixada Fluminense e do interior e de unidades especiais da corporação, como o Comando de Policiamento Ambiental (Cpam).