Coronavírus: Prefeito de Niterói pede ao governo do estado suspensão total da operação das barcas

Gustavo Goulart
RI RIO DE JANEIRO 19/03/2020 Movimentação de populares nas Barcas da atravessia Niterói/Rio de Janeiro nesta manhã de quinta-feira (19). Foto Fabio Motta/Agência O Globo.

NITERÓI - O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), pediu ao governador Wilson Witzel a suspensão da operação dos serviços da CCR Barcas entre Niterói e o Rio de Janeiro. Ele alegou que no Rio já há casos de transmissão comunitária do novo coronavírus. Porém, o governador já havia decidido suspender duas linhas das barcas, entre elas a do catamarã que leva passageiros de Charitas à Praça XV com o objetivo de evitar a propagação do vírus. A outra linha é Praça XV- Cocotá, na Ilha do Governador. As operações serão suspensas a partir deste sábado quando entra em vigor o decreto estadual.

– Conversei pelo telefone com o governador sobre a importância de suspender a operação de barcas e catamarãs entre Rio e Niterói. Nós já temos nos antecipado nas medidas de isolamento social. A experiência internacional de combate ao vírus mostra que os países que mantiveram as pessoas em casa, com o menor número de gente circulando nas ruas, conseguiram conter a velocidade de transmissão do coronavírus. A cidade do Rio já teve casos de transmissão comunitária, quando não é mais possível identificar de quem a pessoa contraiu a doença. Niterói, por enquanto, só tem casos importados, de moradores que pegaram o vírus fora do país e voltaram para a cidade. É fundamental que se postergue ao máximo a disseminação do vírus em Niterói. Só faremos isso se tivermos o menor número possível de pessoas nas ruas – disse o prefeito, preocupado com a situação.

Em Niterói, a prefeitura já está tomando medidas de restrição de utilização da linha de barcas entre a Praça Arariboia e a Praça XV. Na quarta-feira, foi suspenso o funcionamento do bicicletário Arariboia, que fica ao lado da estação das barcas. O equipamento é muito utilizado por pessoas que fazem a travessia da Baía de Guanabara e deixam suas bicicletas guardadas neste local.

- Caso o ciclista não tenha conseguido buscar a bike no período, deverá enviar um e-mail para bicicletarioarariboia@gmail.com e agendar um horário para a retirada - informou a prefeitura.

Por sua vez, a prefeitura de São Gonçalo, que concentra moradores que trabalham no Rio de Janeiro e utilizam tanto o transporte rodoviário como as barcas, emitiu uma nota de apoio às decisões do governo estadual. Informou que esta semana publicou decreto reduzindo em 50% a frota de ônibus em circulação e também reduzindo em 50% a capacidade de lotação no transporte público municipal.

"A Prefeitura de São Gonçalo informa que apoia a decisão do Governo do Estado como forma de conter o avanço do coronavírus em nosso território. Inclusive, o prefeito publicou decreto, nesta semana, determinando a redução em 50% da frota e redução em 50% da capacidade de lotação no transporte público municipal. As janelas dos coletivos devem permanecer destravadas e abertas, de modo que haja plena circulação de ar", informou a prefeitura de São Gonçalo por meio de nota.

Enquanto isso, usuários das barcas estão assustados com a medida e sem saber o que fazer. Gerente contábil em uma empresa de construção civil no centro do Rio, Paulo de Tarso diz estar preocupado com a situação e que precisa de mais informações a respeito.

– Eu uso as barcas diariamente para vir para o Rio. Já não havia concordado com o fechamento do bicicletário da Praça Arariboia. Porque o transporte individual é melhor do que o transporte coletivo. Sem o bicicletário eu não posso me locomover de bicicleta até a barca. Já tenho que pegar o ônibus. O transporte coletivo é necessário porque se as empresas não pararem como é que vamos chegar ao trabalho? Eu tenho que trabalhar. Aqui no Rio as empresas não fecharam. Sei que o momento é de exceção e que devemos ficar em casa, mas e as nossas obrigações no trabalho? – questionou Tarso, que mora em Icaraí.

Engenheiro de produção, Luciano Marinho também mora em Niterói e não vê outra alternativa a não ser negociar com seus patrões para trabalhar de casa.

- Se o transporte público pela ponte Rio-Niterói estará suspenso e as barcas tendem a seguir o mesmo procedimento, a única forma que vejo é tentar uma negociação com os patrões para que a gente faça o trabalho em casa. Não será a mesma coisa, evidentemente, mas não vejo outra solução se a mobilidade ficar toda reduzida - comentou o morador de São Francisco.