Coronavírus: produção de caixões é reforçada e obras para ampliar cemitérios no Rio, aceleradas

Luiz Ernesto Magalhães
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Obras para aumentar 8.500 gavetas no cemitério de Inhaúma foram aceleradas por conta da pandemia do novo coronavírus
Obras para aumentar 8.500 gavetas no cemitério de Inhaúma foram aceleradas por conta da pandemia do novo coronavírus

Enquanto os casos e mortes por coronavírus se multiplicam pelo país, a indústria especializada na fabricação de urnas funerárias reforça a produção. O presidente da Associação de Fabricantes de Urnas Funerárias do Brasil, Antonio Marinho, diz que as empresas aumentaram em cerca de 15% a produção e estão prontas para atender a um aumento de até 50% da demanda.

No estado do Rio, a Vale Verde aumentou a produção em sua fábrica, em Valença. A empresa, que produzia de 400 a 600 caixões por semana para clientes no Rio, São Paulo e para os estados da região Sul do país, agora produz a mesma quantidade por dia:

— Criei um segundo turno de trabalho. Se preciso, teremos um terceiro. Com a Covid-19, adotamos precauções adicionais como máscara e outros equipamentos de proteção individual para os funcionários. A maior dificuldade hoje para escoar a produção é que caminhoneiros não encontram restaurantes abertos nas estradas — disse o gerente, Alfredo Agostinho.

No município do Rio, algumas funerárias na Zona Norte reforçaram em até 30% a quantidade de caixões em estoque. Mas nem todas as empresas adotam a mesma estratégia. A concessionária Rio Pax, que faz a gestão de seis cemitérios da cidade (entre os quais o São João Batista, Inhaúma e Pechincha) preferiu adotar outra conduta, mesmo se preparando para receber nos próximos meses de 30% a 40% corpos a mais:

— Mantemos um estoque fixo entre 700 e mil urnas e contato online com nosso fornecedor de São Paulo. A reposição se dá de forma automática — explicou o diretor de Cemitérios e Funerárias da Rio Pax, Ronaldo Milano.

A concessionária Rio Pax é responsável por obras para aumentar a capacidade de alguns cemitérios do Rio. Em Inhaúma, estão sendo construídas 8,5 mil gavetas e em Irajá, outras 6 mil vagas. A expansão, ressalta o diretor de Cemitérios e Funerárias da Rio Pax, Ronaldo Milano, já era prevista no contrato de concessão da prefeitura:

— Começamos as obras em 2016. Não tinha relação com a pandemia, mas adiantamos algumas obras por causa dela.

Outros cemitérios também estão criando vagas. O Cemitério São Francisco Xavier (Caju), está abrindo 12 mil vagas.

Embora pareça um cenário lucrativo para o setor, a Associação dos Fabricantes e Fornecedores de Artigos Funerários observa que, por causa da pandemia, não há velórios ou há cerimônias muito rápidas, reduzindo a demanda por produtos para preservar corpos e por flores.

Óbitos registrados após enterros

Funerárias do Rio podem fazer os registros de óbito após os sepultamentos enquanto durar a pandemia. A autorização concedida pela prefeitura foi publicada ontem no Diário Oficial e serve para todas as mortes, não só as causadas por Covid-19.

Antes, após ser atestada por um médico, toda morte precisava ser registrada em cartório antes do sepultamento. Agora, funerárias do Rio poderão agilizar o processo utilizando um “Termo de Responsabilidade para Sepultamento”, que deverá ser encaminhado ao cartório num prazo de 15 dias para que a certidão de óbito seja emitida. A decisão do governo municipal foi justificada pela dificuldade encontrada pelas famílias das vítimas, já que o atendimento presencial ao público nos cartórios foi suspenso ou reduzido durante a pandemia.

Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Estado do Rio, Leonardo Martins diz que a medida não é obrigatória e que os estabelecimentos estão sendo orientados a só usarem em casos específicos.

— Não queremos que vire regra. É uma opção para agilizarmos o processo — diz.