Coronavírus: Rio Ônibus não garante fim da lotação nos veículos sem ajuda de agentes públicos

Luiz Ernesto Magalhães
Estações e ônibus cheios nesta quarta-feira após determinação do estado e do município para reduzir número de passageiros

O presidente do Rio Ônibus, Cláudio Callak, disse, nesta quarta-feira, que não tem condições de assegurar que passageiros viajem apenas sentados sem o apoio de agentes públicos como a Cet-Rio, Polícia Militar e Guarda Municipal. Apenas com a ajuda desses órgãos será possível organizar as filas e evitar o excesso de lotação nos coletivos.

– Sem a ajuda do poder público fica difícil controlar o acesso aos coletivos – argumentou.

Por dia, entre passagens pagas e gratuidade, os coletivos fazem milhões de viagens. Na segunda-feira, esse movimento caiu 25%. Na terça-feira, a queda foi de 35%. Na manhã desta quarta-feira, o movimento ficou 50% abaixo do normal.

– Se esse ritmo prosseguir em dez dias nao haverá passageiros – disse Cláudio.

Entidade estuda circular de portas abertas, se necessário

O presidente do Rio Ônibus acrescentou que 90% da frota climatizada podem ter as janelas abertas. A orientação de desligar o ar-condicionado e a abertura das janelas vale, inclusive, para os chamados frescões. Segundo ele, a opção por modelos que permitem abrir as janelas se deu porque muitos coletivos ao sair de linha na capital são revendidos para cidades do interior. Lá podem circular sem ar.

Callak não descarta atitudes mais radicais, como retirar as portas dos coletivos:

– A Austrália retirou as portas. Não descarto nada. Se tivermos passageiros ainda em alguns dias. As medidas que estamos tomando se baseiam nas experiências vividas em outros países que também enfrentam a epidemia, incluindo China e Europa – acrescentou.

Nesta quarta-feira, apenas 65% da frota circulou na cidade. Uma reunião com técnicos da Secretaria municipal de Transportes, na quinta-feira, vai dimensionar a frota necessária para o dia.