Coronavírus: saiba como driblar a depressão em animais de estimação durante a quarentena

Gabriela Oliva
A cadela Farofa, de 2 anos, tem enfrentado ansiedade durante a reclusão na quarentena.

RIO – Com a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) avançando no Brasil, com 533 casos confirmados pelas Secretarias estaduais de saúde (19), os donos de animais de estimação têm encontrado dificuldade de se adaptar ao cotidiano da quarentena com a ansiedade gerada pela reclusão nos pets. Com isso, aqueles que possuem a rotina de ir à rua, sofrem com o isolamento, podendo desenvolver um quadro de depressão.

A designer Yasmin Viegas, de 28 anos, explica que está sem passear desde sábado com a sua cadela Farofa, de dois anos:

— A última vez que ela saiu foi na sexta-feira, quando a levei para o petshop. Desde então ela está reclusa, fica andando pelo apartamento, que tem 32m², demonstrando uma grande ansiedade — diz.

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Trabalhando em casa, Yasmin conta que está parando durante o dia para brincar com a vira-lata. Ela conta que existem momentos que a animal de estimação sobe no sofá e fica batendo a pata no computador, para ganhar atenção:

— Faço pausas durante o trabalho para jogar a bolinha e diminuir a aflição dela, também estou dando um calmante natural. Ela late bastante durante o dia, mas na maior parte do tempo fica correndo pela casa — desabafa.

Antes da pandemia do novo coronavírus, a rotina da Farofa era diferente. A moradora da Glória relata que, antes da reclusão, andava na rua com a cadela pelo menos uma vez por dia.

— Antes ela estava tranquila, nossa rotina era caminhar pelo menos 30 minutos por dia. Agora, ela está se sentindo triste e entediada. Como prevenção, já escondi a coleira para ela não ficar tão estressada. Tentei até fazer yoga com ela, mas não funcionou — brinca.

Tire suas dúvidas

Os animais de estimação podem contrair a Covid-19?

O médico veterinário Paulo Abílio explica que não existe, até o presente momento, nenhum estudo que comprove a transmissão da Covid-19 de pessoas para animais, ou vice-versa. No entanto, os animais podem carregar o vírus humano de pessoas infectadas ou se tiverem contato com secreções na rua.

— Os cuidados básicos de higiene, como lavar as patas dos animais ao voltar da rua com água e sabão e evitar o contato com outras pessoas neste momento é essencial — relata Abílio.

O especialista explica que existe uma diferença entre a vulnerabilidade dos animais no quadro da depressão. No caso dos cachorros, em que muitos possuem a rotina diária de passear na rua, o isolamento pode ser um entrave para a saúde.

Por outro lado, Abílio explica que as aves não são um grupo de risco pois normalmente são de vida livre, e quando criadas, já estão na maioria das vezes reclusas em gaiolas ou nas próprias casas. Já os gatos, que são naturalmente domésticos, podem apresentar quadro de depressão da mesma forma que as aves, em eventual separação dos tutores ou abandonos por conta de internação. O veterinário explica que a mudança de rotina para os felinos pode ser um gatilho para novas doenças:

— Devemos nos preocupar um pouco mais com gatos pois, com o isolamento, pode haver mais estresse gerado pelas atividades em casa — diz.

Use os momentos da alimentação para fazer um gasto de energia

Segundo o adestrador e médico veterinário Henrique Perdigão, estímulos com a alimentação podem facilitar na tranquilidade dos animais de estimação, por ser uma alternativa que ajuda no gasto de energia mental.

— Uma opção é colocar a ração em bolas que soltam a comida devagar, como dentro de garrafas pet. Faça dois buracos no fundo do tamanho suficiente para a pepita da ração passar, pendure essa garrafa para estimular o cão a tocá-la e a comida cair — aconselha.

Enriquecimento ambiental

O enriquecimento do ambiente doméstico é uma opção para a tranquilização do animal doméstico, feito com estímulos olfativos.

— Esconda petiscos ou pedaços de ração pela casa, separando seu cão de você enquanto faz isso, depois solte, assim conseguiremos estimular o faro e a procura, gerando um entretenimento num espaço menor que se tornou entediante. Pode esconder dentro das dobras da caminha, em um tapete felpudo, debaixo de copos de plástico duro, caixas de papelão — orienta Perdigão.

Aproveite para treinar comandos básicos

Aproveite os momentos em casa para treinar comandos básicos, como “senta”, “deita”,”fica” e “caminha”. Se você tem problemas para andar com seu cão na rua, um ótimo treino é usar a coleira dentro de casa associado aos comandos básicos.

— Quando voltar a rotina normal, seu cão vai estar super focado e obediente e não vai ficar tão agitado na coleira — diz o treinador.

Estimule os animais de estimação com brinquedos

Para incentivar os animais dentro do ambiente doméstico, uma boa dica segundo o adestrador é apostar em brinquedos, busco revezá-los, para o animal não o banalizar.

— Amarre um barbante numa garrafa pet e arraste pela casa, estimulando a caça do seu cão. De vez em quando deixe ele pegar e faça uma mega festa, para ele se sentir realizado com o feito. Se seu cão não gosta de brinquedos, cozinher uma proteína sem tempero e use o caldo para molhar os brinquedos e depois congele-o, o pet adorar o brinquedo com sabor diferente — aconselha Perdigão.

Pode passear com o animal de estimação?

A Confederação Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMVRJ) informou em nota que, no período de contenção de coronavírus, a recomendação é que as saídas ao ar livre com os animais de estimação sejam curtas e objetivas, acompanhadas de apenas um responsável, somente para atender às necessidades fisiológicas do animal. A entidade aconselha ainda evitar o contato com outros animais e pessoas, buscando lugares menos aglomerados e os horários mais tranquilos.