Coronavírus: saiba como driblar a procrastinação durante o isolamento

Gabriela Oliva*
Saiba como driblar a procrastinação durante o isolamento

Com as medidas de isolamento social para conter a Covid-19, o tempo ocioso aumentou para algumas pessoas que podem ficar em casa e estão cumprindo quarentena. Segundo especialistas, a convivência dentro de um isolamento forçado e sem possibilidade de diversão após o fim do expediente ou aos fins de semana tem como um dos efeitos a procrastinação. Para a psicóloga Flora Victoria, é importante desenvolver uma rotina de tarefas, estudo e descanso:

— Assim, você mantém seu cérebro produtivo, ativo, e se desafia a continuar criando, aprendendo, executando. O bem-estar mental só funciona bem quando nos mantemos em movimento — afirma.

A estudante de direito Victoria Hilgemberg Rocha, de 21 anos, conta que está enfrentando o desafio de se adaptar à rotina da quarentena:

— É difícil, principalmente nesta fase, que estou ansiosa. Ao mesmo tempo em que tenho mais tempo livre, é difícil fazer o gerenciamento e criar novos hábitos — diz.

Segundo a especialista em psicologia positiva, a inércia pode levar a um quadro de dor e sofrimento, que, para muitos, acaba se tornando uma zona de "conforto", para não terem de lidar com problemas que vão acentuar o estresse, em um momento em que não há válvula de escape, como férias, passeios e programas culturais, que ajudam a reduzir a tensão. Esse ato de adiamento leva a um círculo vicioso que também pode adoecer a mente:

— Quando o indivíduo procrastina e estaciona nesse estado, criando uma zona de conforto, parece uma contradição, mas ele encontra prazer em abdicar do controle sobre as emoções. Então, em vez de procurar saídas criativas e soluções que exigem desenvolver forças mentais, como sabedoria e equilíbrio, ele vai na contramão, procurando circunstâncias ou pessoas para culpar pelo seu estado. O sentimento derrotista de que você não é capaz, de que o que acontece contigo é culpa do outro ou de fatores externos, transfere a responsabilidade de tomar atitudes.

Para a especialista, em momentos desafiadores, a solução está em buscar o seu propósito e não desistir de seus objetivos:

 — Tanto a quarentena quanto as situações criadas por ela são fatores externos que não podemos mudar. Mas podemos mudar como encaramos a situação, como nos sentimos, como enxergamos cada adversidade e, por fim, como podemos e devemos reagir a ela. Essa pequena mudança de perspectiva é que faz toda a diferença entre sentir-se vítima das circunstâncias e o que faz com que você retome o controle e comece a mudar a sua vida, a despeito dos obstáculos — ressalta.

*Estagiária, sob orientação de Marcelo Balbio